[OS CHEIROS]

[os aromas, amálgama 
de cheiros, alçavam-se 
pela rua goiás desde a guajajaras 

à bahia. eram aromas do final 
da tarde, aguardentes baratas 
e lasanhas, pastéis fritos 

e cerveja acumulada
no metal das mesas, um e outro
resmungava um palavrão 

para o agente do dops vigiador
de bêbados e estudantes,
wander piroli no bar do chico

com os seus repórteres 
da editoria de polícia, 
délio rocha e suas sandálias,

lá vem fritz teixeira de salles
para o misto frio e o copo
de leite na lanchonete nacional,

lá vem roberto drummond
lentamente, lentamente,
com a morte de dj em paris,

e o colunista social em seu terno
branco, todo finório e besta,
e milicos vestidos de jeep,

tantos milicos vestidos de jeep,
e os aromas do final da tarde,
as exalações do sem nome,

as exalações da melancolia 
que o poeta medíocre fazia
subir em espirais de névoa,

e não sabíamos que no futuro 
moravam dias ainda piores
como esses dias dagora,

dias em que os odores
são os odores 
podres do fascismo.]

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