[CONHECI, NÃO CONHECI]
Não conheci pessoalmente o imenso Eduardo Frieiro. Creio tê-lo visto certa vez na Rua Rio de Janeiro, mas não posso comprovar. Li, porém, praticamente todos os seus livros, e guardo o seu Novo diário com muito gosto na Biblioteca Aurora Arurá, em Massarandupió, Bahia.
Uma lástima: o poeta Emílio Moura nunca passou dentro do meu campo de visão na belo-horizontina paisagem. Gostaria muito de ter conversado com o poeta de Dores do Indaiá, ou "grego de Dores do Indaiá", como gosto de chamá-lo devido à constante menção a formas geométricas em sua poesia.
Jobim, sim, eu o conheci junto à piscina do Othon Palace, quando fui coordenar a entrevista coletiva que ele daria logo antes de sua apresentação-solo no Palácio das Artes. Depois da entrevista, ele pediu uma garrafa de Dimple e ficou ali conosco, até quase anoitecer e a garrafa se esvaziar, comigo e com a então repórter da Globo Mirian Chrystus. A conversa foi quase toda sobre passarinhos e ele me indicou um livro sobre o tema: "Da Ema ao Beija-Flor", de Eurico Santos.
Conheci pessoalmente Fernando Sabino quando do lançamento de O grande mentecapto na Livraria Eldorado, diante da Cantina do Lucas. Depois do lançamento, uma roda se formou na parte superior da Cantina: Murilo Rubião, Fritz Teixeira de Salles, Isaías Golgher, entre outros dos quais não me lembro. Ocupei de intruso um cantinho da mesa. De supetão, Sabino me perguntou se já lera o livro recém-lançado. Antes que eu respondesse, ele contou que Guimarães Rosa achara um modo muito travesso de espantar autores que lhe enviavam livros e, aflitos, pediam a sua opinião. Rosa sempre respondia: "Estou na página 33".
Outra lástima: não conheci pessoalmente Sérgio Sant´Anna, muito embora os tantos amigos comuns que possuíamos, como Adão Ventura, Jaime Prado Gouvêa ou Luiz Vilela.
Conheci a poeta Henriqueta Lisboa pelas mãos do saudoso Antônio Sérgio Bueno. Serviu-nos chá e um cálice de licor. Sérginho havia feito um audiovisual sobre a sua obra e o motivo da visita era convidá-la para a apresentação na reitoria da UFMG. Fiz a trilha sonora do poema Canoa e assim que soltei a voz no refrão, "alto-mar", selvagemente, desajeitadamente, a poeta levou um grande susto, conforme Serginho me contaria depois.
Não conheci Pedro Nava pessoalmente, mas recebi dele uma curta e linda carta, na qual comentava a leitura do meu segundo livro, "A sagrada blasfêmia dos bares".
Não conheci frente a frente Carlos Drummond de Andrade, mas guardo dele um cartão no qual comenta uma crônica que publiquei no jornal Estado de Minas, uma crônica até muito atrevida por sua invencionice: pus o poeta na Avenida Afonso Pena, diante de uma lotérica, comprando um bilhete da borboleta.
Sim, conheci, ainda muito jovem, o mau-afamado Farolito, na Avenida Pedro II, e aquele ambiente de tangos e tragos serviu-me de cenário para uma rapsódia belo-horizontina, ainda inédita.
___________
[livro a caminho para quem sabe um dia.]


Comentários
Postar um comentário