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6.5.26

[HERMENÊUTICA DA PAUSA]

[a pausa talvez seja um tecido vegetal em jardins despovoados.]

[nesse tecido vegetal, há movimentações de silêncios.]

[são pequenos silêncios que se organizam conforme as posições da lua ou do sol.]

[não há governos para esses silêncios, nem pauta de música para regências de um maestro.]

[nesse tecido que pode ser verde ou amarelecido como as folhas no outono, se dá a pausa.]

[ninguém diz, mas há indícios de sábios muito antigos aconchegados nesse tecido onde se dá a pausa.]

[quando alguém caminha pela cidade e de repente para em estados de ausência, diz-se que houve uma pausa.]

[a pausa dura o quanto for necessário para a própria pausa.]

[depois que ela ocorre, chegam os enxames.]

[os enxames podem ser de gentes, carros ou mesmo parafusos atirados de um edifício.]

[a escritura acontece dentro dessas acontecências de pausa.]

[a leitura também.]

[a pausa é o número três da vida e da morte.]

[o número três não tem nome. nem a pausa.]

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