[OS FILÓSOFOS E A ECLOSÃO DOS OVOS]
[os filósofos ficavam à espreita, atrás das pedras e dos arbustos. só saíam quando os ovos eclodiam. era o momento do júbilo. cada filósofo emocionava as pálpebras de ver e as pálpebras de sonhar. chamávamos esse espetáculo de "o que os ovos fazem com a filosofia". os povos ágrafos parece que transmitiram aos filósofos esse ardor na alma. pois não havia outro nome senão ardor na alma para definir aquela festa da eclosão dos ovos. era tanto êxtase que os filósofos, aos saltos, lembravam velas esvoaçantes de barcos em dia claro, sob vento contínuo e benfazejo. relatos posteriores desses acontecimentos ainda provocam até hoje a festa pândega e pagã da visão e do sonho. peço mais um cálice de vinho ao garçom leitor de proposições e axiomas. elevo brindes aos filósofos desses mundos obscuros. ponho a literatura ao sol, em varais com espinhos, para que ela sofra lentamente a dor das asperezas. é tarde....
















