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[O PULSO DO ESCRITOR-QUE-NINGUÉM-LÊ]

[pegamos no pulso esquerdo do escritor-que-ninguém-lê e não conseguimos perceber latejamentos ou fluxos de qualquer natureza.] [um de nós comentou que ele poderia estar morto.] [éramos três e retornávamos das derradeiras para a primeira página.] [o escritor-que-ninguém-lê estava dependurado no trapézio por uma corda que descia até bem rente ao picadeiro.] [o circo estava abandonado.] [de tempos em tempos, alguém relatava a presença de palhaços mortos: seus fantasmas muito fora de moda e tropeçantes.] [esses fantasmas não faziam mal a ninguém e até lembravam crianças desajeitadas.] [monos de pelagem desbotada, que a morte havia esquecido, vagavam para lá e para cá com os seus cajados.] [bandos de pessoas, residentes na vizinhança e acostumadas a histórias retilíneas, vinham manifestar e expressar interrogações diante da cena.] [tais gentes não conseguiam entender por que um escritor (escritor-que-ninguém-lê) dependurava-se por uma corda desde o tra...

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