Quase ninguém aparece atualmente neste território, a não ser robôs transcontinentais das IAs e algum visitante ou outro guiado por, talvez, uma eventual pane nos algoritmos.
É aqui, porém, que me sinto mais à vontade, e até espantosamente satisfeito em meio à proliferação das plataformas que as big techs desovam incessantemente para a captura e hipnose das gentes.
Estou aqui desde 2003. Vivenciei a magnifica explosão da blogosfera e acompanhei com deleite e prazer um grande número de blogs. Alguns deles ainda estão na minha lista de links, como o Teatro Anatómico, do meu fraterno Manuel Jorge Marmelo, ou o Mundo Fantasmo, do igualmente amigo Braulio Tavares.
Frequento-os.
E acompanho rotineiramente o que publicam conforme o modo que ainda prevalece na leitura desses blogs sobreviventes: um ritmo próprio, sem o apelo aflitivo das redes, a lentidão como parceira no rolar da tela, talvez o último vínculo digital com o livro impresso.
Mas creio que estamos fadados à extinção. Mais cedo ou mais tarde isto aqui vai desaparecer. Ainda agora quase ninguém em outras plataformas se dá ao trabalho de clicar em um link que o leve a um blog.
O que leem, quando leem e se é que leem, deve estar inteiro diante dos olhos. Clicar em um link é um salto ao desconhecido. E o melhor mesmo é o instantâneo do Instagram, de acordo com a lei do menor esforço.
De todas as maneiras, aqui estarei.
Leu? Louvo. Não leu? Ovas.
Hoje, mais do que nunca, boa parte de nós escreve apenas para o leitor que há em nós. Boa parte de nós, também, já aprendeu a colocar a mesa e não esperar pelos convivas.
Se alguém tocar a campainha, é claro, será recebido com honras. Se prevalecer o silêncio, comeremos as empadinhas só na companhia do gato que, no meu caso, atende pelo nome de Dorival.



















