[ANOTAÇÕES SELVAGENS]
[estar à margem é um grande trunfo: ninguém vem lhe dizer se o poema é ruim ou perfeito. se você chega, quando pertence às margens, todos os que o avistam mudam de assunto. ninguém perguntará sobre os caminhos que percorreu desde tão longe. estar à margem é um grande feito até mesmo pelo manto de silêncio que recobre os seus passos.] [o ininteligível começa a ficar mais corajoso quando o poema entra em um beco sem saída. primeiro, o ininteligível adota a neblina; depois, ao se achar senhor do hermetismo, ele adota as trevas. e o poeta, sem perceber tal emboscada, entra cada vez mais no beco. e o poema, feito assim de cadeados e correntes, não é lido nem pelos gatos que espreitam no desvão da noite densa.] [no ensaio, ficou registrado o instante em que a mola propulsora do poema entrou em pane, e nada, absolutamente nada pôde ser escrito em tal desastre, nem mesmo as palavras mais melífluas e adocicadas, tudo tornou-se impossível com a pane na mola propulsora do poema. só restou ao ensa...








