[VOCÊ AINDA ESCREVE SEM SER LIDO?]
O que faz ainda nas chamadas redes um escritor de 74 anos, à beira dos 75, e que já não é lido por quase ninguém? Não seria mais sensato recolher-se de vez ao silêncio ou fechar-se em reclusão de urso velho em seu tugúrio agora baiano? Para quê distribuir diariamente a sua voz escrita por aqui e acolá e algures, tal e qual se ainda vivesse o impulso juvenil de soltar, ao vento, textos, textículos ou textões? Ser originário de muito longe no tempo possibilita uma visão assustadora e aterrorizante. É como se o alto-altíssimo da idade escancarasse uma visão das décadas todas vividas, uma a uma, desde a quadra adolescente de rascunhar os primeiros escritos até o momento de uma certa profissionalização que lhe tenham oferecido o jornalismo e a literatura. E, enfim, o agora do agora, quando as razões ou motivos para continuar a escrever tornam-se cada vez mais frágeis. Há, porém, o insondável como a querer explicar o inexplicável. Nada mudou quanto à intromissão contínua de palavras e frases...
