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21.3.26

[FUTURO-TE?]


[poesia? futuro-te? ou ilógico
ontem-te, lá antes, antes 
de antes, tal se fosse hoje-te?

lances de tempo delirante 
dar à poesia, ao mesmo tempo,
ontem-te, hoje-te e futuro-te?

em paz deixo-a galante no livro
dos livros em verbetes, assanho-
me em gozo de procurá-la

e achá-la em qualquer tempo
de depois ou de antes, melhor
sempre querê-la continuamente.]

[DAS ESCOLAS LITERÁRIAS]

[filio-me a uma escola literária
pouco comentada, que é a escola
das tortuosidades,
essas tortuosidades das árvores 
e arbustos do cerrado, essa paisagem 
onde aprendi
a ver o horizonte em arabescos
de folhas, de cascas e espinhos.

foi essa paisagem que me ofertou a frase
em trilhas, atalhos, encruzilhadas,
o súbito de um olho d´água 
no altiplano, o súbito das pegadas
do lobo-guará, a hipnose olfativa
de um araticum caído, as florescências
da gabiroba em graciosas redondilhas,
o juá, o cajá-manga, essas pontuações
de frutos em estranhezas na frase, 
o ninho da cascavel aos pés da macaúba,
e, em noites de privilégio, o fogo-fátuo
a se elevar de antigas povoações.

dessas tortuosidades
que a gramática não prevê
e os compêndios não ensinam,
adquiri a frase em peregrinagens,
a frase que vai sem fim 
com o seu cajado,
porque os tropeços são comuns
nesse tipo de latitudes e longitudes
de palavras, e cair é quase um rito
para que floresça uma pausa,
um silêncio, o branco lacunar
de uma ruptura no sentido,
e para que surjam no rastro
do peregrino certas agrafias
que a escrita ainda não alcança.]

[O PENSAMENTO E A POESIA]

[há um indescritível
e indecifrável rumor noturno
de asas quando porções 
de pensamento
esvoaçam em direção à poesia.

essas porções que a noite 
não consegue aprisionar
com os seus cadeados e grades,
esses vazamentos de matéria
pensante a caminho da poesia
poderiam ser chamados
de "odres suspensos", posto
que lembram o jorro do vinho
para disseminar a festa 
e a desordem.]

[ESTE POEMA EM MOTO-CONTÍNUO]

[este poema em linha sem fim, 
em moto-contínuo, assim daqui 
para além nas ruas do burgo, 

eia,

que a cidade é sem cercas, 

eia, 

cavalo só crinas, 

o jato-cinema de um raio cadente, 
a polpa da fruta nos lábios 
da moça, a carranca do barco, 
a seco, de esquina a esquina, 
eu sei que vou e que sigo, 

eia, 

ao mar das tormentas, 
"nunca mais, nunca mais", 
eis o corvo a voo de relâmpago, 
aquilo é um castelo, aquilo 
é um palácio, 
"ao chão, o palácio de inverno", 
que as vestais sejam comidas 
pelas moscas, 

eia, 

que o poema é sem fim, 
em moto-contínuo, roda d´água 
e moenda, roldana de guindaste, 
motor de transatlântico, 
eu vou para cabo verde, 
eu vou para a mongólia, 

eia, 

que o circo é em chamas, 

eia, 

e mais eu não digo, 

eia, 

e recomeço, do início para o difícil, 
do fácil para o sem fim das dunas 
do deserto, eu leio cartago, 
eu leio o estopim aceso 
nas ruas de hamburgo, 
conheço o seu segredo, eu sei 
do seu cinismo, 

eia, 

palavrórios ao vento, 

eia, 

a manteiga na chapa, 
lá vem o andor do sossego, 
lá vem  a santa desnuda, 
comprei um escaravelho, 
vendi o olho cego, 
não vou de valsa, 
eu sei o ponto que desapruma, 
vai cair o edifício, está 
em chamas a cidade, 
"é a praga", diz o ventríloquo, 
"é a louca do passarinho", 
grita o mendigo, devoro 
a música com garfo torto, 
retiro os ladrilhos, 
vou de pequim a lisboa 
em busca da lâmina, 
lá em recife 
dos pernambucos cabralinos, 
se tem cigana, eu danço, 
se tem farinha, eu como, 
debulho os gomos, de gomo 
a gomo, desta cantaria.]

[A LUXÚRIA E O POEMA]

[e o poema impôs ao tempo a grã luxúria, este terceiro dos sete pecados capitais. e o poema 

deu viço ao que era baço, ao que era opaco, deu magnificência e exuberância

ao tempo, alegrou as nuvens, desregrou o vento em dançarolas de leitura, e o vento assim leitor

agora cúmplice do poema enamorou-se da luxúria, urra!, gritaram os marinheiros no cais,

urra!, gritaram as mulheres de azul, eia!, assim, em uníssono, os anjos sem emprego nem patrões rumaram

em desgoverno para a festa, urra!, outra vez gritaram os marinheiros e lançaram ao mar os alfabetos, eia!,

e então os potros na montanha, eia!, que a luxúria vinha com as romãs, eia!, que o poema atiçava odor de enxofre,

e as éguas, ao largo, minavam água de suas ancas, e os deuses, infantos, entravam inteiros nos tonéis de baco.]

20.3.26

[LEITORES? SÓ TEMOS TRÊS]

[leitores? só 
temos três: 
o que gosta,
o que não gosta 
e o que não vê.
nem lê. vez e outra, 
misturam-se 
os três: um faz 
o que o outro faria,
mesclam-se 
as farinhas 
do que gosta,
do que não gosta 
e daquele que não lê.

digo isto: o pão 
da leitura 
vem de massa
enigmática. cada qual 
com o seu trigo,
cada qual 
com o seu fermento, 
um tem água, outro 
tem o sal (ou o doce) 
na padaria.

entre tantos enigmas, 
enigma maior 
entre os três
é o leitor 
que não vê nem lê. 
é leitor in absentia.
dele só intuímos 
a sombra. rosto 
encoberto, corpo
difuso, mais lembra 
um fantasma. se tosse, 
se funga,
se retorce linha a linha 
a frase à vista, 
nada sabemos.

tende a ser frágil, 
sem substância e tutano, 
o leitor que sempre gosta. 
lembra mais um devoto. 
advoga o aplauso, 
é reverencial e idólatra. 
é tanto vício nas palmas 
que há calejo 
e calo nos mindinhos.

dos três, nesse triangular 
esquema, há o cultor
do litígio. é máquina 
de contrariar 
o rio-corrente
da turba. esse leitor 
do contra, ranzinza, 
alisa o gato
a contrapelo e vai 
na contramão do senso 
comodista. lá está ele, 
altivo, tapume 
por onde o vento sopra.

digo isto: a leitura, 
quitanda das alegrias, 
depende dos três assim 
distribuídos. só dois 
seria um fiasco,
a leitura 
seria maniqueísta. 
só um 
seria leitura
sem dilema, monólito 
no tempo, monoteísmo 
do olho. com os três, 
eu digo: a quitanda 
é bem mais plena.]

[FAZIA NOITE, MAS ERA URSO]

[fazia noite, mas era urso. 
fazia claro, mas era poço. 
fazia doce,
mas era vespa. fazia liso,
mas era lâmpada. 

ó, música sem som 
da frase oblíqua.
ó, mancha invisível 
no mar seco.

aqui vou eu: cavaleiro, 
cavalo, furo e faca 
pela dobra da música. 
da poesia, bani os incensos. 
da prosa, abri o capinzal
na planície, soprei 
dunas do deserto.

aqui vou eu: camelo 
e tuaregue, adaga 
e sangue, parede 
e alvura 
no sol de andaluzia.

não venha comigo, 
poeta imitante.
não venha comigo, 
lebre indignante.

nômade, montanhoso 
e litorâneo, trago 
amêndoa no punho. 
e componho: silêncio
de john cage 
dentro de um redemoinho.]

9.3.26

[A LATA QUE VIROU POEMA]


[tardou 
quem sabe um século
para que a lata, ao sol, 
à chuva,
em canto analfabeto 
de um quintal sem dono, 
em fundo
de um fundo de terra 
entre taiobas
e arames, entre pneus 
e caramujos,
entre carcaças de bichos 
e flores
desbotadas, pois tardou 
um século
para que a lata, 
de seu óxido,
de sua ferrugem, 
de seus buracos,
emitisse por fim 
o som de um poema.]

[RIMAS? ORA, SÃO ENZIMAS]



[é pouco ou nada dizer que rimas
são sons que se combinam,
ou que se espelham, pares
melódicos na dança dos fonemas.

eu diria que rimas são mais 
da ordem das enzimas, 
são proteicas partículas

que nutrem as linhas superpostas 
do poema, elas agem no oco 
das sílabas, roem
o caroço que o senso comum 
impôs ao uso

da língua, reagem à química
das palavras-ovelhas, estas que, 
submissas e arrebanhadas, 
adoentam as frases

com anemia. por serem da ordem 
das enzimas, rimas, como as vejo 
e as elogio, levam ao rio
rítmico do poema a cósmica coreografia,

e nutrem, com a poética do ver, do ouvir
e do pensar, os engenhos da poesia.]

6.3.26

[QUASE NOITE. COM FRANCIS PONGE]

[é quase noite. e as pitangas 
tingem o leite que o céu 
derrama a oeste, ali onde a estrela 
temporã logo virá declamar 
um poema de francis ponge.

o vapor de cachoeira 
não navega mais no mar. 
o jardim protege uma ninhada 
de vogais. o rústico graveto 
aresta a página de uma avenca 
que, quase noite, logo vai 
declamar um poema de francis ponge. 

é quase noite ao sul do sul, vai 
agora o sol, vem a lua, e o cheiro 
do óleo diesel é o próprio 
coração do diabo a bater 
na caldeira da fábrica. a fábrica 
não vai declamar 
um poema de francis ponge.

o corte no olho do cão andaluz. 
o banquete dos mendigos 
por entre as espirais 
do tabaco de buñuel.

godard recorta o senso 
comum com as tesouras 
de uma andorinha perdida, 
perdida e cega, 
na quase noite. a andorinha 
logo declamará 
um poema de francis ponge.

"fracassamos", diz o homem 
velho à beira de um canteiro. 
"fracassamos", dizem 
os leitores e as leitoras 
do não à beira 
das páginas mortas. e o gato, 
gato sem nome, subnutrido, 
triste, logo vai declamar 
um poema de francis ponge.]

18.2.26

[QUANDO PENSO EM POEMA]

[quando penso em poema, penso rua.
melhor: penso janela ou abertura, vãos

largos por onde o olhar (ou o ser) acede,
olhos como se mãos em dádivas, dáveis.

mas penso sobretudo em dia quando vem
a ideia de poema. o dia igual a casa, o dia

onde habitamos e onde vivemos, tal e qual
no poema de philip larkin. dia concerto

em céu aberto, do sol que brota ao claro
que se recolhe quando enfim se dá a noite.

o dia é todo um universo que se repete
a cada dia, mote e glosa sempre diferentes.

nele o grilo, nele o urso, nele o cavalo, tudo
súmula de um em outro, cisco no bico

dos sapatos, paletó puído de um homem
desesperançado, faca com um grito dentro.]

16.2.26

[HÖLDERLIN, HÖLDERLIN]

["pallaksch", murmurava 
hölderlin,
"pallaksch", 
ele murmurava, nem sim,

nem não, nem sim, nem não, ó
melancolia dos murmúrios, ó

a crua limiaridade do que não é
sim, nem é não. paul celan 

também murmurou com hölderlin
"pallaksch", assim igual eu murmuro

"pallaksch", murmuro as desdobras 
sem dobras do que indefine,

mas intuo ter visto lá onde o navio
cruza, lá onde o mar-alto vira,

intuo ter visto um pássaro
sem cor sobre o verde mar

desconhecido, intuo esse pássaro, 
não é do sim, não é do não,

mas é tão jovem quanto
um fogo em seu vigor inaugural.]

3.9.25

[É UM ENGANO IMAGINAR QUE A RUA DA BAHIA DEU A DRUMMOND A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO]

[A Rua da Bahia é uma rua que vai daqui para acolá e de acolá para nenhures. 

É rua em declive ou em aclive, conforme os óculos, conforme o destino. Sobe, se você está a caminho de acolá; desce, se você está a caminho de nenhures. 

É rua apropriada para quebrar silêncios. Quando falta assunto, é só dizer: "Rua da Bahia". Os assuntos voltam. 

É rua densamente povoada pelo passado. Você diz: "Bar do Ponto". Todo o passado volta, e, junto com ele, voltam os fantasmas.

A Rua da Bahia inventou Belo Horizonte. "Haja cidade", disse a Rua da Bahia em uma segunda-feira chuvosa, muito tediosa, sem nada para fazer, só com empadas nos mostruários e alguns udenistas de cachecol. E houve então a cidade.

Do ponto de vista topográfico, a Rua da Bahia tem baixios, medianias e altanias. À meia-noite, não há vagas para poetas nas medianias, vagam anjos pelos baixios, sonham nas altanias os candidatos a governador.

Do Bairro da Floresta, onde começa, à Rua Carangola, onde termina, tudo é fabuloso na Rua da Bahia: passam javalis, dromedários, bem-te-vis de polainas, curiós de ceroulas, deputados dependurados pelas gravatas ― e ectoplasmas de faraós a caminho do Palácio da Liberdade.

É um equívoco pensar que a Rua da Bahia foi trazida de trem de Salvador, conforme divulgado pelo pessoal da UDN. Outro engano é imaginar que a Rua da Bahia deu a Drummond a pedra para o famoso poema, conforme propalado pela turma do PSD.

Mas é tese aceita ter havido um tempo em que todos os redatores de discursos dos governadores de Minas andavam à solta e sem camisa-de-força pela Rua da Bahia.

Ainda hoje, século e tanto depois, quem passa à noite pela Rua da Bahia pode ouvir versos assim: "Ó lua plana sobre os organdis de Eliana". Ou então: "Mansa é a mão que dança sobre a pança do comendador".]

31.8.25

[PAUL CELAN E O FIAPO DA ROUPA DE UM PEREGRINO]

[ainda noite, mas já manhã prenunciada, veio o texto.]

[texto assim: fiapo da roupa de um peregrino.]

[lembrei-me então da carta 
que paul celan escreveu a hans bender em 18 de maio do ano de 1960: "só mãos verdadeiras escrevem um poema verdadeiro. em princípio, não vejo nenhuma diferença entre um aperto 
de mãos e um poema".]

[e o texto veio assim: fiapo da roupa de um peregrino.] 

[não era ouro, não era ourivesaria, nada de texto-diamante à luz chegante do dia: era fiapo.]

[fiapo da roupa de um peregrino.]

[com a delicadeza que se impôs em hora tão inaugural no tempo, tratei de laçar a lápis esse indizível que jamais escreveremos.]

[modo não há de escrever o fiapo que se fez de texto na manhã prenunciada.]

[o fiapo é o indizível, é o horizonte inalcançável, é isto que nos ilude para a escrita sempre sonhada e impossível.]

28.8.25

[EDMOND JABÈS: GENEROSIDADES DO SILÊNCIO]

[o que perturba sem nenhum ruído, sem 
algaravias, o livro perturbador e perturbante, 
esse livro que por ele somos perdidamente atraídos 
(são tão poucos, são contáveis nos dedos), 

esse livro que nos retira o centro e nos lança 
às espirais da própria perturbação, esse livro 
talvez não seja um livro longo, imenso, oceânico, 
mas um livro que, mesmo ao ter mil páginas, 

é um livro de pequenas cápsulas, de pequenos grãos, 
de pequenas ilhas. 

mostro a k. e a q
um dos livros de jabès. abrimos em conjunto 
as suas páginas. lá estão as cápsulas, as frações 

e as porções do fato perturbador e perturbante. 
o que lemos nesse livro, livro que é a multiplicação 
de tantos livros num pontilhismo de tantas ilhas 
em um mapa sem nome, nos joga às margens 

da cidade. a cidade então perde o centro, e, com ela, 
passamos a habitantes do horizonte. o horizonte 
sem margens. trazemos então edmond jabès, 
ele próprio, ao nosso convívio. dele ouvimos 

a generosidade do silêncio. nele identificamos 
o silêncio ouvinte, esse silêncio pleno de ouvidos, 
silêncio pleno de olhos, silêncio pleno de peles. 
o silêncio como uma epiderme do tempo. jabès 

então caminha conosco por essa belo horizonte 
a cada olhar inventada. também ele usa sapatos 
náuticos. também ele atravessa de um lado 
e outro as alfândegas dos gêneros.]

16.8.25

[CARTA AO SENHOR PON, MUY ESTIMADO EDITOR]

[Caro amigo Senhor Pon: 

Envio-lhe, enfim, os originais com 250 páginas (por favor, não fique assustado com o tamanho) em espaço simples. Há uma mancha de sangue na página 89. Por favor, igualmente não se assuste. Foi um acidente com o dedo médio no momento em que fazia a última leitura. Eu nunca deveria, Senhor Pon, usar o canivete enquanto leio. Nunca. Mas sou — o Senhor bem sabe — muito repetitivo.

Passarei por Lisboa em outubro, a caminho da Espanha. Estarei em Vigo até novembro. Vou com Lanna — há cinco anos que lhe prometi a viagem e agora não há mais como desistir. Levaremos também o gato — é o Lopes — que se encontra no oitavo capítulo do livro. Dedico-lhe, aliás, 33 páginas.

Peço-lhe paciência durante a leitura do texto que se encontra entre as páginas 143 e 198. Paciência e benevolência. Não pela qualidade (seja duro, Senhor Pon, não poupe nada em sua avaliação), mas pelo tema que ali descrevo — o tema do assassinato.

Confesso-lhe: fui testemunha daquele crime. E acrescentaria: o dedo que puxou o gatilho teve (simbolicamente, se assim posso dizer) a influência da minha mão. Invoco, porém, o sigilo. Se os críticos (sobretudo os críticos italianos) souberem de minha proximidade a tão deplorável fato, estarei para sempre banido da Europa, e jamais verei uma obra minha exposta nas livrarias do velho continente. 

Seria demais o convite para que esteja em Vigo pelos finais de outubro para dos copitas con nosotros? Lanna e eu estaremos à espera. 

Una stretta di mano.  

Do seu
G.]

24.3.25

[BIBLIOTECA AURORA ARURÁ]


Hoje farei a doação para um sebo de 300 ou 400 livros, pequena fração do acervo pessoal formado no passo a passo das décadas. A maior parte seguiu em 42 caixas há dois meses para a Biblioteca Aurora Arurá, na Bahia, minúscula, simples e graciosa edificação elevada no quintalzinho da moradia amarela de Massarandupió. Este será o último endereço desses livros que nos acompanharam em Belo Horizonte a cada mudança de casa pelos bairros Pampulha, Sion, Luxemburgo e Cruzeiro. Agora compõem a Aurora Arurá, nome que surgiu em um sonho numa madrugada de outubro de 1998, na praia de Búzios, no Rio de Janeiro, durante um diálogo imaginário  com o poeta Manoel de Barros.