[OS DESLUMBRES DA EMPATIA]
[o cavalo manca esquerdamente as suas ancas. há angústia nas duas ventas. a tela de um picasso que não existe, o cinema de um bairro oculto onde a cidade, num átimo, desaparece. homens espatifados feito xícaras em outra tela de uma parede em rubro-melancia. eles diziam enquanto iam o palavreado da empatia. nada comprendiam. só o olho flutuante sobre o texto, a pobre leitura do tijolo sobre o tijolo, "que belo", um falava, "que belo", outro arpejava, era o deslumbre sem alumbres da torneira da empatia, mortalha da dialética ou da simples releitura, glutões do fácil como o infante suga a teta, ó, miséria, que enfado ver a listra depois de outra listra na figura múltipla da zebra, seu coração-diáspora, não a esse pacto iludível de linha-agulha, vamos, eu chamo o cachorro, vamos, eu chamo o tigre, salto-bote-ataque sobre o plano especular do vidro, grãos de metal para afastar o empático até que a dobra incompreensível acenda a relampagaria.]













