[O MÁGICO DA RUA TRIFANA]
Naquela noite, disseram que no trecho da rua Trifana a poucos metros da Pirapetinga, lado direito, ocorriam fatos inacreditáveis. Por exemplo, coelhos que saíam aos montes da cabeça de um homem de boné cinzento. Há pouco, três transeuntes subiram lentamente a Trifana, e estavam muito alegres esses três peregrinos notívagos como que desgarrados de outros bandos de notívagos na noite belo-horizontina. Um era arquiteto, os dois outros poetas. Um, aliás, poeta-letrista que trouxera o talento do norte de Minas para a epopeia musical das esquinas da cidade. Tocaram o interfone. De lá, soou a voz doce e afetuosa que lhes abria passagem e entrada. Degrau por degrau, os pés desses três peregrinos subiram pesados de vão em vão pela escadaria até que, chegantes, foram recebidos pelo imenso sorriso de um menino que vivia dentro de um mágico. O apartamento era de um aconchego que parecia abraços lançados aos visitantes. No centro da sala, uma mesa toda em madeira lavrada, antiga, com um porta-joias...




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