[DIA OSMAN]
[hoje acordei com a palavra avalovara no céu da minha boca. então eu disse para o dia, o dia que recém-nascia: "bom dia, senhor, seu nome hoje será dia osman". a palavra avalovara ficou na minha boca toda a manhã. polpa de romã, jorros de maracujá, frutas da língua brasileira-portuguesa. eu apalpava e acariciava a palavra avalovara no céu da minha boca. fruta e pássaro, pássaro de múltiplos pássaros, avalovara, avalovara. e dizia ao dia osman: "será que chega o nosso fim, o fim de todos os fins, esse fim que se avizinha com as botas, os coturnos, os tanques da idiotia?" o dia osman não me respondia. só os sinos dos sineiros loucos, as matracas da senhora morte, os cavalos cegos , as bestas com olhos de sangue apontavam no horizonte. aquele vento de aço. aquela brisa de gesso. aquela aragem de urânio. ...















