— Pode ser que sim — disse o homem debruçado sobre o muro.
— E se a gente pintasse tudo de vermelho? — perguntou a mulher, na janela.
— Vermelho é cor muito atrevida — falou o homem, olhando para as nuvens.
— Mas é a cor que eu mais gosto — ela respondeu. — Sabia disto?
— Sabia, mas estão dizendo na cidade que somos doidos — proferiu o homem, depois de algum silêncio.
— Ora, que falem, cada um planta a sua doidura — ela falou, irritada.
— Doidar é melhor do que a linha reta — disse o homem.
— Bem que a gente podia fazer um baile — disse a mulher.

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