7.5.26

[NINHO DE HISTÓRIAS, HISTORIOLAS E HISTORIETAS]


[No embornal cheio de mínimos pedaços de papel escritos com uma, duas ou meia dúzia de palavras, achei que poderia criar uma história. Às 8 horas da segunda-feira, enfiei a mão no simpático saco de lona e de lá retirei o papel com a palavra "touca". Enfiei outra vez a mão e de lá eu trouxe outro papelucho com a palavra "camisola". Olhei para as duas palavras e fui tomado pelo desalento. Nada eu poderia criar a partir de touca e camisola, a não ser que pusesse touca na Senhora Olinta e a fizesse chegar à janela da Rua dos Girassóis vestida com a camisola listrada ou zebrada em branco e marrom. Desisti. Dois dias depois, enquanto folheava uns opúsculos portugueses editados no Porto, olhei para o embornal que repousava sobre a cômoda do gato e resolvi praticar outra vez a experiência doidivanas. Enfiei a mão. Fechei os olhos. Devagar eu trouxe do abismo um papel macio. Nele estavam grafadas as palavras "falastrão", "bigode" e "cachecol". Lendo-as, confesso que senti os impulsos tempestuosos que ocorrem quando há uma história a caminho. Pensei no Odovaldo e logo concluí que ele bem que poderia ostentar o título de falastrão. Ademais (ora vejam, quanto tempo não vinha morro abaixo a palavra ademais!), em Odovaldo o bigode cairia bem, assim como o cachecol de falsa lã, presente de amigo oculto na firma Imobiliária Os Souza. Achei que o experimento aproximava-se do sucesso. E só de pensar que, no sábado, bem cedo, assim que as cornetas do quartel soarem neste bairro chamado Viva o Povo, enfiarei outra vez a mão no embornal para explorar novas histórias, historiolas e historietas, meu coração dispara.]

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