7.5.26

[CANÇÃO DO MOÇO ESQUISITO]

[aquele era um moço avoado,
inquieto, esquisito, que andava
de um lado para o outro
sem pouso, paz ou sossego.

ele vinha de uns lances
de tempos antigos, jacarta,
helsinque, estrasburgo, 
berlim, san francisco, 
proust numa bolsa, 
beckett na outra.

esse moço trazia palavras
pescadas no poço sem fundo
da língua, ginete, charneca,
espartilho, retrós, gemebundo,
bebia absinto, dançava 
flamenco e amava o perigo.

esse moço, que agora está morto,
deixou meia dúzia de escritos
como seu testamento, e num deles
foi dito: "abaixo os larápios,
abaixo os tacanhos, 
abaixo o fascismo".]

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