[VOCÊ PREGADO NO POSTE]

[meu nome é vicente. rimo
celan com georg trakl, lembro
ao senhor ritmo o som teso
do cordame metálico. qual
poema frouxo você assina
hoje como se fosse ontem?

mora em belo horizonte? 
tem pacto com o presente?
é amigo do bonde ou serve
ao futuro supersônico? alto,
ápice, cume: enxerga o mar
de cima do mastro circense?

rio em barbatanas dessa gente
esperta que agora poema-poema
como se jorro incontinente. 
marketing da mãe ou do feto 
no ventre. tudo à venda: 
seu cacho-penacho,
sua galocha, seu frasco 
narcísico, sua antologia, 
sua revista-prenda.

o que me diz do lugar de fala?
nega a fala ubíqua, a movente,
a errática, a despatriada fala
que desliza em superfície
espelhada? compõe e canta
por encomenda? ou feicebuca
a boca junto com a manada?

tantra. taba. tonga. têmpera.
em t trovejo o trovão da língua.

só vale quem fala de dentro
da obra: é o miolo, a cápsula,
a noz, é o projétil. despalpito
meu ser no mundo. sem lei,
desobedeço. sem rumo, atiço
o barco. sem chefe, sem deus,
só o sussurro do vento. vem
comigo lado a lado ou vai
com outro sob chicote e jugo?]

Comentários

Postagens mais visitadas