não era o verbo,
mas o pão de queijo.
mas o pão de queijo.
assim afirmavam gozosos
e pândegos
aqueles marinheiros.
não marinheiros de alto-mar,
à moda de joseph conrad,
eram, sim, marujos
aqueles marinheiros.
não marinheiros de alto-mar,
à moda de joseph conrad,
eram, sim, marujos
de navegação
em terra, ao nível do chão,
contumazes retóricos
em terra, ao nível do chão,
contumazes retóricos
ali para os lados
do bairro da floresta.
bastava lançar a isca
bastava lançar a isca
de um vocábulo
que eles puxavam o anzol
que eles puxavam o anzol
das frases. e então navegavam
pelos mares da língua.
aliteravam lua linda
lábio luva leque
lábio luva leque
lépido larápio.
e faziam redondilhas.
e faziam redondilhas.
e litotes.
e puxavam do bolso
e puxavam do bolso
do paletó um limerique
de formato irlandês
em louvor a james joyce.
e depois, ao silêncio
em louvor a james joyce.
e depois, ao silêncio
que vinha
após tais simpósios,
acenavam
para quem passasse
àquela hora,
podia ser o poeta
podia ser o poeta
libério neves
a caminho de santa tereza,
podia ser o manoel lobato
rumo à sagrada família.
e riam. riam à simples menção
de algum mineiro-paulistano,
espécie nova de mineiro
que vai para são paulo e põe
penacho de quatrocentos anos.
"a vida?
a caminho de santa tereza,
podia ser o manoel lobato
rumo à sagrada família.
e riam. riam à simples menção
de algum mineiro-paulistano,
espécie nova de mineiro
que vai para são paulo e põe
penacho de quatrocentos anos.
"a vida?
ora, a vida é bicicleta",
dizia um deles, e de novo
dizia um deles, e de novo
aliterava porções
do idioma em selvageria
orgíaca, vírgula visigodo vassalo
vórtice ventríloquo vaia vagalume,
tudo pelas artes
orgíaca, vírgula visigodo vassalo
vórtice ventríloquo vaia vagalume,
tudo pelas artes
da namoragem com a língua.]

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