18.2.26

[QUANDO PENSO EM POEMA]

[quando penso em poema, penso rua.
melhor: penso janela ou abertura, vãos

largos por onde o olhar (ou o ser) acede,
olhos como se mãos em dádivas, dáveis.

mas penso sobretudo em dia quando vem
a ideia de poema. o dia igual a casa, o dia

onde habitamos e onde vivemos, tal e qual
no poema de philip larkin. dia concerto

em céu aberto, do sol que brota ao claro
que se recolhe quando enfim se dá a noite.

o dia é todo um universo que se repete
a cada dia, mote e glosa sempre diferentes.

nele o grilo, nele o urso, nele o cavalo, tudo
súmula de um em outro, cisco no bico

dos sapatos, paletó puído de um homem
desesperançado, faca com um grito dentro.]

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