[quando
penso em poema, penso rua.
melhor:
penso janela ou abertura, vãos
largos por
onde o olhar (ou o ser) acede,
olhos como
se mãos em dádivas, dáveis.
mas penso
sobretudo em dia quando vem
a ideia de
poema. o dia igual a casa, o dia
onde habitamos
e onde vivemos, tal e qual
no poema de
philip larkin. dia concerto
em céu
aberto, do sol que brota ao claro
que se
recolhe quando enfim se dá a noite.
o dia é todo
um universo que se repete
a cada dia,
mote e glosa sempre diferentes.
nele o grilo,
nele o urso, nele o cavalo, tudo
súmula de um
em outro, cisco no bico
dos sapatos,
paletó puído de um homem
desesperançado,
faca com um grito dentro.]

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