[FIGURA-SOMA, FIGURA-FRAGMENTO]

[agora que sou um escritor 
sem fascínio pela unidade, 
chamo as gentes para o baile 
das mônadas. requisito 
de epicuro a leibnitz 
a ventura dos grãos 
ao vento. descomprometo-me 
com o monólito. com bloco 
em concreto não quero negócio. 
ah, esse meu pensar travesso. 
dou vivas ao embaralhamento 
dos cubos. tantas notas 
em descompasso. encho 
a pauta com semínimas 
e silêncios. olho o cinturão 
de meteoros no firmamento. 
já nem respeito os parágrafos. 
faço palíndromos e tropeços. 
trago lacan para beber 
no odre dos hunos. redundo 
aquele dizer profundo 
de escrever como um jogo. 
só prezo o escrito no gozo. 
já nem chamo conto 
o que poemo ou romanço. 
tão sérios estão os santos, 
tão pios, só lágrimas 
e sofrimento. do gato, 
eu sigo o riso e o guizo, 
esse andar em curvo desrumo, 
esse vagar desretilíneo 
e ubíquo. só vale escrever 
pelo oblíquo. olho com jabès 
o deserto. saúdo a ausência 
de centro. ponto a ponto, 
desfaço o litígio: onde 
a figura-soma, aponho 
a figura-fragmento.]

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