edmond jabès diz que jardim é palavra, e que deserto é escritura.
matinal, o senhor glavs vai aos canteiros do jardim observar se houve eclosão de sementes durante a noite, ou se a escritura do deserto trouxe nova caravana.
"há muito a fazer", disse o senhor glavs.
é já um homem velho este senhor glavs que, expedicionário, trata jardins e desertos como se fossem livros.
"todo livro é um pequeno coração pulsante entre os nossos dedos", ele fala.
e o eco, de algum lugar das primeiras falas, reverbera pelo jardim das palavras.
são ressonâncias de campânulas ao vento.
ou talvez o silêncio escrito.
"ou o silêncio a escrever", diz o senhor glavs.]

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