[E SE WANDER PIROLI PASSASSE?]

[os arrabaldes de belo horizonte.]

[eis a praça do peixe com o linguado de plástico a se equilibrar numa vara ao tempo, para lá é o norte, para acolá é oeste, se vai morrer, sobe a rua bonfim, se vai viver, siga a via para o carlos prates.]

[futurismos tardios na rua bonfim.]

[vende-se gelo.]

[vendem-se pentes velhos, abajures sem lâmpadas, máquinas de costuras onde coser a mortalha de um mendigo que acabou de morrer.]

[ou não.]

[vivo está, sonolento talvez, o guarda vem para o diagnóstico: "é o altair", alguém diz.]

[altair sorri.]

[ressuscitou.]

[e se passasse agora o piroli a caminho da praça vaz de melo?]

[e se caísse um anjo?]

[piroli não passa e o anjo não cai.]

[são matinais os olhos nos arrabaldes de belo horizonte.]

[corações de bandoneóns ainda pulsam a noite anterior.]
 
[a sofreguidão na pele da cidade, a curva do viaduto onde dorme um cachorro.]

[e se o piroli passasse agora a caminho da praça vaz de melo?]

[e se um anjo lunático escrevesse agora a sonata dos dias agônicos?]

[há silêncio de morte na brisa de agora há pouco.] 

[sopram as ventoinhas do tempo louco.]

[de pé, altair retoma o seu calvário.]

[o brasil inteiro se esfarela em pão e mofo na rua paquequer.]

[altair agora valsa.]

[valsa a valsa do imperador.]

[altair valsa.]

[quão tristes são as alegrias nas gengivas nuas de altair.]

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