[BILHETE AO SOL]
[bem avisamos que o poema
era dentro de outro poema,
e que o poema de dentro
era o poema de fora,
salvo erro, salvo
engano, salvo equívoco
ou mera dobra
de um conceito
noutro conceito,
essas coisas do céu
e da terra, do sal
e do açúcar, isto
que o poema finge
sob o manto ora
de sombra ora de luz,
esse deslizamento
de uma coisa
para outra coisa,
essas aves migratórias,
essas sementes jogadas
ao tempo, esse ininteligível
escancarado aos olhos-leitores
que vigiam o mar desde o porto,
essas melancolias da tarde,
esses meninos dentro dos navios,
tudo isto que forma
os acontecimentos
e seus cachos,
esses frutos pendentes
das árvores, esses martelos
de madrugada, esses anjos
que dormem entre as frases,
esses gritos dos seres sem nome.]
era dentro de outro poema,
e que o poema de dentro
era o poema de fora,
salvo erro, salvo
engano, salvo equívoco
ou mera dobra
de um conceito
noutro conceito,
essas coisas do céu
e da terra, do sal
e do açúcar, isto
que o poema finge
sob o manto ora
de sombra ora de luz,
esse deslizamento
de uma coisa
para outra coisa,
essas aves migratórias,
essas sementes jogadas
ao tempo, esse ininteligível
escancarado aos olhos-leitores
que vigiam o mar desde o porto,
essas melancolias da tarde,
esses meninos dentro dos navios,
tudo isto que forma
os acontecimentos
e seus cachos,
esses frutos pendentes
das árvores, esses martelos
de madrugada, esses anjos
que dormem entre as frases,
esses gritos dos seres sem nome.]


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