[BRINDES AO FAZER IMAGINANTE]
[ficamos assim: os livros,
como sempre,
continuarão sendo escritos,
continuarão sendo escritos,
os meus
e os encomendados.
o café estará pronto,
e os encomendados.
o café estará pronto,
como sempre,
às cinco em ponto,
às cinco em ponto,
e o assovio
da valsa será logo às cinco e cinco.
como sempre, trarei ecumênico
da valsa será logo às cinco e cinco.
como sempre, trarei ecumênico
o coração,
sem hectare
sem hectare
algum para o plantio da ira.
nos entroncamentos,
nos entroncamentos,
como sempre, quebrarei
à esquerda. como sempre,
à esquerda. como sempre,
virarei à esquerda,
como sempre
como sempre
estarei à esquerda.
aos meus,
aos meus,
os meus meninos
todos, darei a constância
diuturna e noturna
das minhas invenções
das minhas invenções
culinárias,
e, mesmo áspero, áspero
como as árvores
do meu cerrado,
vicejarei, por onde passo,
vicejarei, por onde passo,
um tanto
e tanto de afetuosidade.
saúdo
e tanto de afetuosidade.
saúdo
os que frequentam esta página,
os que chegam e os que partem,
os que chegam e os que partem,
em silêncio ou alvoroço,
e invoco a paciência
dos que torcem
dos que torcem
o nariz para a poesia.
os que me conhecem,
os que me conhecem,
os de hoje ou de ontem,
sabem isto
sabem isto
que roubo de mallarmé:
tudo o que faço
tudo o que faço
e fiz nesses meus 75
anos foi para entrar
anos foi para entrar
e caber dentro de um livro.
prescrevo
prescrevo
aos espadachins ideológicos
que não se infantilizem
que não se infantilizem
na política.
e que exerçam
sempre a autocrítica
e que exerçam
sempre a autocrítica
antes da crítica.
e reafirmo
e reafirmo
a minha modesta divisa:
otimismo, amigos,
otimismo, amigos,
não é matéria abstrata,
otimismo
otimismo
é o fazer de cada minuto,
pois a mão que faz
pois a mão que faz
é a mesma mão
que imagina, e a vida, ora,
a vida é o fazer imaginante.]
que imagina, e a vida, ora,
a vida é o fazer imaginante.]


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