[PLAZA DE LA VIRGEN BLANCA]


[O nome da cidade é Vitoria-Gasteiz e ela fica no País Basco. 
O nome da praça é Plaza de la Virgen Blanca e ela está coberta pela neve. 
É o mês de janeiro de um ano já bem distante. 
Lucas Baldus faz a travessia em diagonal, pés sobre a neve, depois empreende uma travessia sinuosa, sempre a bordo de seus sapatos náuticos. 
Ele leva o pão sob o casaco e dentro do bolso do casaco ele leva uma garrafa de vinho. 
É noite. 
E o céu está todo em prata. 
De prata estão cobertas as ruas. 
Duas ou três pessoas igualmente fazem suas travessias pela Plaza de la Virgen Blanca. 
De uma janela, não muito longe dali, ouve-se a música de um violoncelo. 
Uma menina, menina-basca-espanhola-portuguesa-do-mundo, brinca também não muito longe, ela brinca com as luzes de uma vela. 
A vela faz luz cor de ocre dentro da praça coberta de prata. 
E a menina brinca com a chama, a menina converge os fulgores da chama, converge, entre luz e sombra, algumas figuras sonhadas, figuras inventadas na superfície de uma parede branca. 
A menina usa um brinco. 
Usa um batom encarnado. 
Ela possui canetas mágicas. 
Ele escreve linhas e linhas em seu caderno secreto. 
Linhas que vêm de Salamanca, linhas que vêm de Lisboa, linhas que são rios de palavras, palavras em delicados nós, em suaves bordados. 
E Lucas Baldus termina a travessia da praça. 
Leva o pão e leva o vinho, ouve a música do violoncelo e divisa no céu de prata, da Plaza de la Virgen Blanca, as figuras sonhadas pela menina. 
Lucas Baldus tem barbas brancas. 
É um homem de muitos caminhares. 
E antes que ganhe outras vias, outras vias e outros caminhos, ele acena para menina, diz a ela palavras de ambrosia.] 

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