[na redonda noite,
os cavalos
azuis. a lesma.
os vidrilhos
da luz. o calmo
antúrio e a nobre
avenca.
e os cartógrafos.
seus mapas
por onde a chama
da vela diz:
"eis o país de lá",
"eis as cidades
que flutuam
e os rios de fogo".
o prego. o chapéu.
a espada.
há o baú
com os papéis tristes.
substantivados abandonos,
goivas de lacerar
as saudades, o corpo
em seu litígio perene
pois potro
sem doma, sem rédeas.
o corpo ágrafo
destituído de palavras.
o corpo em selvageria
úmida. a casa. o lodo.
a hera. os sinais
dos guerreiros que vinham
com suas tochas incendiárias.
tudo é calma sobre o fio
da lâmina. ela agora dorme.
a nudez exposta.
o lago que se formou
junto à cama.
lá fora, os cavalos azuis.
lá fora a madrugada
pendente, pêndulo
das noites baixas,
rentes ao chão.
as noites rastejantes,
tapete em trevas.
e os apitos.
ao largo as barcaças,
os marinheiros
com adagas nos lábios,
os capitães soturnos,
as velas piratas.
e a trempe.
as brasas dormidas.
hora de macerar as ervas,
hora de chamar assim o dia:
"vem". o dia em aço.
o dia com os seus colares
no pescoço. o dia
com os seus cavalos
vermelhos.]

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