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9.3.26

[A LATA QUE VIROU POEMA]


[tardou 
quem sabe um século
para que a lata, ao sol, 
à chuva,
em canto analfabeto 
de um quintal sem dono, 
em fundo
de um fundo de terra 
entre taiobas
e arames, entre pneus 
e caramujos,
entre carcaças de bichos 
e flores
desbotadas, pois tardou 
um século
para que a lata, 
de seu óxido,
de sua ferrugem, 
de seus buracos,
emitisse por fim 
o som de um poema.]

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