quem sabe um século
para que a lata, ao sol,
para que a lata, ao sol,
à chuva,
em canto analfabeto
de um quintal sem dono,
em canto analfabeto
de um quintal sem dono,
em fundo
de um fundo de terra
de um fundo de terra
entre taiobas
e arames, entre pneus
e arames, entre pneus
e caramujos,
entre carcaças de bichos
entre carcaças de bichos
e flores
desbotadas, pois tardou
desbotadas, pois tardou
um século
para que a lata,
para que a lata,
de seu óxido,
de sua ferrugem,
de sua ferrugem,
de seus buracos,
emitisse por fim
emitisse por fim
o som de um poema.]

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