temos três:
o que gosta,
o que não gosta
o que não gosta
e o que não vê.
nem lê. vez e outra,
nem lê. vez e outra,
misturam-se
os três: um faz
os três: um faz
o que o outro faria,
mesclam-se
mesclam-se
as farinhas
do que gosta,
do que não gosta
do que não gosta
e daquele que não lê.
digo isto: o pão
digo isto: o pão
da leitura
vem de massa
enigmática. cada qual
enigmática. cada qual
com o seu trigo,
cada qual
cada qual
com o seu fermento,
um tem água, outro
tem o sal (ou o doce)
na padaria.
entre tantos enigmas,
entre tantos enigmas,
enigma maior
entre os três
é o leitor
é o leitor
que não vê nem lê.
é leitor in absentia.
dele só intuímos
dele só intuímos
a sombra. rosto
encoberto, corpo
difuso, mais lembra
difuso, mais lembra
um fantasma. se tosse,
se funga,
se retorce linha a linha
se retorce linha a linha
a frase à vista,
nada sabemos.
tende a ser frágil,
tende a ser frágil,
sem substância e tutano,
o leitor que sempre gosta.
lembra mais um devoto.
advoga o aplauso,
é reverencial e idólatra.
é tanto vício nas palmas
que há calejo
e calo nos mindinhos.
dos três, nesse triangular
dos três, nesse triangular
esquema, há o cultor
do litígio. é máquina
do litígio. é máquina
de contrariar
o rio-corrente
da turba. esse leitor
da turba. esse leitor
do contra, ranzinza,
alisa o gato
a contrapelo e vai
a contrapelo e vai
na contramão do senso
comodista. lá está ele,
altivo, tapume
por onde o vento sopra.
digo isto: a leitura,
digo isto: a leitura,
quitanda das alegrias,
depende dos três assim
distribuídos. só dois
seria um fiasco,
a leitura
a leitura
seria maniqueísta.
só um
seria leitura
sem dilema, monólito
sem dilema, monólito
no tempo, monoteísmo
do olho. com os três,
eu digo: a quitanda
é bem mais plena.]

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