21.2.26

[A LUXÚRIA E O POEMA]

[e o poema impôs ao tempo a grã luxúria, este terceiro dos sete pecados capitais. e o poema 

deu viço ao que era baço, ao que era opaco, deu magnificência e exuberância

ao tempo, alegrou as nuvens, desregrou o vento em dançarolas de leitura, e o vento assim leitor

agora cúmplice do poema enamorou-se da luxúria, urra!, gritaram os marinheiros no cais,

urra!, gritaram as mulheres de azul, eia!, assim, em uníssono, os anjos sem emprego nem patrões rumaram

em desgoverno para a festa, urra!, outra vez gritaram os marinheiros e lançaram ao mar os alfabetos, eia!,

e então os potros na montanha, eia!, que a luxúria vinha com as romãs, eia!, que o poema atiçava odor de enxofre,

e as éguas, ao largo, minavam água de suas ancas, e os deuses, infantos, entravam inteiros nos tonéis de baco.]

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.