21.2.26

[O MANTO DO FALSO DIZER]


[do modo 
como se torce um pano,

assumo que torci a frase
o tanto que precisou

para que ela, seca
ou só úmida,

dissesse com serenidade
o que soasse 

sóbrio e civilizado.
mas o fogo

que nela persistia,
selvagem e alastrante,

queimou voraz
o manto que, 

paliativo, nela havia.
onde se lia olá,

soou o que de fato
eu quis dizer.

isto é: canalha.]

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