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25.2.26

[ENCONTRO DE LEIBNIZ E SPINOZA EM HAIA]


[Senhor Glous, vocacionado às pesquisas inusitadas, bizarras e até mesmo inúteis, conta-me do encontro que o Senhor Gottfried Wilhelm Leibniz teve com o Senhor Baruch de Spinoza entre os dias 18 e 20 de novembro de 1676, em Haia.

Conforme pesquisou Glous, o Senhor Leibniz se achava em missão diplomática na região e achou por bem visitar Spinoza, já bastante doente, e que morreria meses depois, em fevereiro de 1677.


Antes, por ter chegado aos Países Baixos em outubro, Leibniz visitou intelectuais como o matemático e físico Huygens, o comerciante de tecidos e construtor de microscópios van Leeuwenhoek, que associou microorganismos à produção de alimentos fermentados, e também o físico e médico Ehrenfried Walther von Tschirnhaus. E então dirigiu-se a Haia para conhecer Spinoza, de quem já lera o Tratado Teológico-Político (1670) e com quem já trocara correspondência indireta.


Por dois ou três dias, salvo erro, salvo engano, os dois filósofos conversaram com gosto e verbo sobre a natureza de Deus e da substância, sobre liberdade e necessidade, sobre a relação entre corpo e alma, e, claro, sobre a obra inédita de Spinoza, a Ética, que Leibniz leu em manuscrito.


Conforme a principal fonte desse encontro, Christoph Hermann von Wolff, Leibniz ficou impressionadíssimo, mas também intrigado, com a pulga atrás da orelha: viu ali a força lógica do sistema de Spinoza, mas igualmente avistou certo perigo, pois implicava, segundo ele, uma forma de panteísmo (Deus = Natureza), o que julgava incompatível com a teologia cristã.


O bate-papo entre os dois também foi relatado pelo próprio Leibniz em um texto que se encontra conservado em Hannover.


Ao partir, Leibniz levou na bagagem um exemplar manuscrito da Ética, exemplar que ainda existe com suas próprias anotações à margem.


"Sabe-se que esse colóquio entre os dois filósofos foi um marco, pois foi daí que Leibniz, como se em um contraponto a Spinoza, criou a filosofia das mônadas e da harmonia preestabelecida", diz exultante o Senhor Glous, escandindo cada palavra de sua revivência daqueles dias.


Enquanto caminha pela tarde em Salvador, na Rua Conselheiro Pedro Luiz,  e até mesmo transborda os olhos de emoção pelo relato desses acontecimentos, Senhor Glous saúda os passantes do bairro do Rio Vermelho, como se ele próprio tivesse feito parte do famoso encontro de Haia.]

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