[os meninos da rua de cima queriam guardar luz de sol dentro de um vidro.]
[os meninos da rua de baixo queriam guardar em vidro bocados da luz da lua.]
[os meninos sem rua, ou de todas as ruas, queriam mesmo era encher o vidro com minhocas gordas.]
[o menino pedro, da rua do meio, sonhava com um sapo vermelho que só sabia dizer uma palavra.]
[era a palavra gualcalipstoia.]
[a palavra gualcalipstoia só existia no dicionário dos sapos vermelhos.]
[sapos de outras cores gostavam de palavras que derretiam na boca.]
["algum escritor aí dentro?", perguntou o menino waldo à beira do buraco.]
[era buraco grande, cabia nele um rinoceronte.]
[o menino waldo chegava à beira do buraco e perguntava: "algum escritor aí?", "nenhum?", "nem um?", o menino waldo perguntava.]
[o buraco ficava mudo.]
[o menino waldo foi embora.]
[foi então que o menino estêvão quebrou o rádio em pedacinhos.]
[queria saber se pessoas moravam dentro do rádio.]
[não encontrou ninguém.]
[e entendeu que as coisas podem não estar dentro das coisas.]
[o menino estêvão foi então à montanha e de lá olhou para o mundo inteiro.]
[viu até o polo norte.]
["olá, seu polo norte", ele disse duas vezes.]
[depois desceu da montanha e foi desaparecer no túnel do nunca mais.]
[o anjo das barbas azuis foi visitar os meninos e aprender a desentortar arames.]
[os arames eram invisíveis.]
[só meninos e anjos de barbas azuis conseguiam ver os arames ao sol.]
[um dos meninos disse que era entendido em filosofia desentortadeira.]
[o anjo de barbas azuis ria com voz muito fina.]
[os meninos então perguntaram para ele se ele tinha um violino dentro.]

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