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25.2.26

[ANJOS E MENINARIAS]

[os meninos da rua de cima queriam guardar luz de sol dentro de um vidro.]

[os meninos da rua de baixo queriam guardar em vidro bocados da luz da lua.]

[os meninos sem rua, ou de todas as ruas, queriam mesmo era encher o vidro com minhocas gordas.]

[o menino pedro, da rua do meio, sonhava com um sapo vermelho que só sabia dizer uma palavra.]

[era a palavra gualcalipstoia.]

[a palavra gualcalipstoia só existia no dicionário dos sapos vermelhos.]

[sapos de outras cores gostavam de palavras que derretiam na boca.]

["algum escritor aí dentro?", perguntou o menino waldo à beira do buraco.]

[era buraco grande, cabia nele um rinoceronte.]

[o menino waldo chegava à beira do buraco e perguntava: "algum escritor aí?", "nenhum?", "nem um?", o menino waldo perguntava.]

[o buraco ficava mudo.]

[o menino waldo foi embora.]

[foi então que o menino estêvão quebrou o rádio em pedacinhos.]

[queria saber se pessoas moravam dentro do rádio.]

[não encontrou ninguém.]

[e entendeu que as coisas podem não estar dentro das coisas.]

[o menino estêvão foi então à montanha e de lá olhou para o mundo inteiro.]

[viu até o polo norte.]

["olá, seu polo norte", ele disse duas vezes.]

[depois desceu da montanha e foi desaparecer no túnel do nunca mais.]

[o anjo das barbas azuis foi visitar os meninos e aprender a desentortar arames.]

[os arames eram invisíveis.]

[só meninos e anjos de barbas azuis conseguiam ver os arames ao sol.]

[um dos meninos disse que era entendido em filosofia desentortadeira.]

[o anjo de barbas azuis ria com voz muito fina.]

[os meninos então perguntaram para ele se ele tinha um violino dentro.]

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