[FANTASMAS DIANTE DA GRUTA METRÓPOLE]
[fantasmas de fraque e cartola palreavam hoje diante do que foi a gruta metrópole. palreavam sobre doces e panturrilhas. calmos e serenos pela aura da fantasmagoria, usavam apetrechos de silêncio para a descrição do remoto convívio, lá quando as esbeltezas de suas calvas luziam belo-horizontinas, adjetivadas calvas de doutores e pontífices, de sonetistas e barrigas de redondilhas. nós, os que hoje passamos pela rua da bahia, vimos esses fantasmas em colóquio sobre o nada, o nada eterno que sempre floriu naquele tugúrio. e um de nós, talvez o escriba desse cenário, percebeu ser ele um igual fantasma ali no simpósio, canivete em óxido no bolso da sobrecasaca, relógio parado no fundo das algibeiras.]