1.quando chego ao restaurante “ostra-mãe”, sempre às quartas-feiras, recebo saudações personalizadas do garçom plínio, o novo, apelido que lhe deu o jornalista de amenidades vasco sertório. plínio sempre diz: “viva cartago contra os romanos de araque”.
2.não sei por que o garçom se apegou a cartago. é tal a sua intimidade com a velha e histórica cidade que ele poderia estar se referindo a localidades mais próximas no tempo e na geografia, como jequié, santa bárbara do tugúrio ou brejo bonito.
3. peço-lhe faisão à moda william blake, homenagem mais do que justa ao poeta inglês. para beber, um cálice da vodca polonesa esmeraldina. não é preciso dizer que ao fim do almoço eu me sentia tomado pela felicidade azul dos cavaleiros do ano de 1267, quando começou um intervalo de cem anos de paz naqueles vales da soróbia.
4.antes de partir para meu passeio no parque milanês, ouvi da mesa ao lado a boa nova de que mister tramp havia escorregado na banheira, rodopiado o corpanzil e desabado nos ladrilhos como um boi da mongólia, queda que lhe deixou com os portentosos traseiros seriamente avariados e impossibilitado de comer testículos de zebra na companhia de vladimir, el putin, justo naquele dia.
5.amanhã estarei em dublin para o aniversário da revolução fracassada. duas lágrimas eu solto face abaixo só de pensar no fiasco daqueles eventos ocorridos antes do meu nascimento, mas nem por insignificantes na minha vida.
6. na minha adolescência em são paulo, ouvi pela primeira vez o resumo daquela revolução que não houve, mas fiz dela, da própria ideia de fracasso naquelas barricadas, o meu evento histórico favorito.
7. ficarei em dublin até domingo. na segunda, tenho reunião com o alto comissariado da paz-em-guerra, presidido pelo comandante rodolfo zenski, em la coruña. nuvens sombrias pairam sobre a reunião. o que posso, porém, com o meu destino?
Nenhum comentário:
Postar um comentário