[PASSAR LENÇOL]
[a primeira dobra,
com as pontas
do lençol em cada
mão esticadas,
e o queixo descido
sobre o peito
a pressionar
o centro exato
do quadrado, e logo
a segunda dobra,
feita com os mesmos
procedimentos
de um geômetra, e já
a caminho
de um providencial
retângulo,
e vem então a terceira
dobra, a última,
a derradeira, que é
quando o lençol,
em camadas
sobre camadas,
tem já o salvo-conduto
para ir à tábua,
ali onde o ferro
de passar o aguarda
com os vapores
a sopitar ferventes,
exalações da água
já não mais água,
misteriosas películas
no alisamento
contínuo e persistente
de um lado
e outro lado, logo
campo de convites,
logo tecido anfitrião
para o idílio
do corpo e dos corpos.]
com as pontas
do lençol em cada
mão esticadas,
e o queixo descido
sobre o peito
a pressionar
o centro exato
do quadrado, e logo
a segunda dobra,
feita com os mesmos
procedimentos
de um geômetra, e já
a caminho
de um providencial
retângulo,
e vem então a terceira
dobra, a última,
a derradeira, que é
quando o lençol,
em camadas
sobre camadas,
tem já o salvo-conduto
para ir à tábua,
ali onde o ferro
de passar o aguarda
com os vapores
a sopitar ferventes,
exalações da água
já não mais água,
misteriosas películas
no alisamento
contínuo e persistente
de um lado
e outro lado, logo
campo de convites,
logo tecido anfitrião
para o idílio
do corpo e dos corpos.]


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