[O FRACASSO NA LITERATURA E OUTROS FRACASSOS]
A crônica que imaginei sobre o texto rígido, aprisionado, texto duro como um caibro de madeira de lei, não foi possível. Gorou a crônica antes mesmo de estar completa a sua primeira linha. E, pelo visto, mais intuído do que visto, não seria uma crônica de boa estampa. Tudo indicava que ela seria um fracasso.
Devo dizer que aprecio a palavra fracasso quando se trata de literatura, embora outros tipos de fracasso sejam igualmente apreciáveis. Por exemplo, fracasso nos negócios, na lateral direita daquele time de várzea, na incapacidade de falar em público, especialmente quando os que escutam demonstram estar inquietos.
Mas acho desnecessário que se refiram a ele, ao fracasso, mediante expressões como "fracasso retumbante". Não é preciso. Não é preciso tais hipérboles. Fracasso já diz tudo o que pode significar fracasso. E afirmo que o fracasso é o tutano da literatura. Seu motor e a sua usina. "Escrever ciente do fracasso", eis o mais belo axioma da arte de escrever.
Neste exato momento, a tarde de 1 de julho de 2026, quantos escritores e escribas e escreventes pelo mundo estarão provando em cálice tosco a amarga bebida do fracasso?
Melhor não pensarmos nisto.


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