[HÁ UM BANDO DE ROBÔS NA SUA PORTA]


A audiência despencou do modo que um galho podre verga rumo ao chão. 

Não foi de repente. 

Dia após dia a audiência foi minguando e ficava cada vez mais desnutrida. Uns poucos leitores pela manhã, outros poucos pela tarde, algum insone pela madrugada. 

Até que.

Até que os robôs tomaram conta da audiência e predominaram nas visitações. 

Gente humana, mesmo, ninguém. Amigos, conhecidos, até pessoal que aparecia para leitura rápida, em diagonal, agora só gota a gota. Uns gatos pingados. 

Descobriu então que já não poderia recuar ao tempo em que a audiência era constituída por pessoas. 

Os cardumes ou enxames ou rebanhos ou hordas de robôs surgem agora a cada texto publicado, procedentes dos data centers localizados nos estados americanos, na Ásia, no Oriente Médio. 

Visitas muito esquisitas. Aparecem em bandos, ficam visíveis uns mínimos instantes e desaparecem. E reaparecerão quando novo texto for publicado.

Ano 3010. Robôs narcotizados por circuitos ficcionalizantes zumzumbizam celibórios vocabulares em um simulacro de taberna. 

Um humano toca tuba.

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