[AS COISAS DENTRO DAS COISAS]
Ligia
Flores, em seu Todas
as coisas dentro de uma coisa (Editora Galo Azul, Rio de Janeiro, 1979),
conta a história de um homem que imaginava coisas dentro de coisas, e para cada
coisa encontrada dentro de uma coisa ele imaginava outra coisa, outro conteúdo,
e mais outro, infinitamente. Diz a autora que esse homem — identificado no
livro apenas pelas iniciais F. J. V. — não sabia ler nem escrever, mas era como
se o soubesse, pois encontrou um modo muito peculiar para o registro de suas
descobertas: a carvão — com uma lasca de carvão — ele grafava riscos e sinais
em grossas folhas de papel e depois as
empilhava pela casa, montava a sua biblioteca de folhas soltas, cada
folha tornada memória da coisa que ele encontrava dentro de outra coisa, a
coisa dentro da pedra, a coisa dentro da pena, a coisa dentro da fruta, e
dentro de cada coisa achada dentro da coisa havia mais outra coisa.
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