6.9.26

[UM CURTO PREFÁCIO PARA ANABELA GÖR]

[os poetas costumam falhar quando não retiram, mesmo dos temas mais abstratos, algum grau de concretude. 
não é o que faz anabela gör em seu sétimo livro, albatroz de fogo, lançado em got pelas edições carrossel. 
chilena naturalizada brasileira, seus poemas, em número de 68 neste novo título, encadeiam tema e léxico que, à primeira vista, seriam um convite ao tédio.
"névoa", "aragem", "neblina", "aura", "inefável", "rútilo" ou "bafejo" são algumas de suas escolhas. todas bastante arriscadas, pois ingredientes capazes de fazer de um poema uma maquineta de dormir. 
de modo algum isto acontece neste caso. as linhas de cada peça, umas concisas, outras transbordantes para a linha seguinte, levadas por uma respiração tensa, de corda tesa e esticada, hipnotizam o leitor mais exigente.
e anabela gör parece estar a cada instante desafiando os leitores para as armadilhas e os enigmas das entrelinhas, para o jogo subjacente, mesmo quando diz estranhezas como a "lua é um bólido de ar pedregoso".
pena que o ambiente em got, de alta complacência com a poesia mais chinfrim, ainda não tenha descoberto esta filha da região desértica do norte do chile, ali também onde o ar é rarefeito e em combustão solar.]

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