[A POESIA E A PROSA DUELAM NA TABERNA]
["dizem os pasquins que somos inimigas", falou devagar a prosa, o copo sobre a mesa, aceso o cigarro rente à testa, a voz, a voz vinha de boca narrativa. "inimigas não somos, se bem, devo dizer, em algum momento senti ganas de matá-la", disse a poesia, com meio riso cônico e irônico, com outro meio riso fácil de notar que era um meio riso assim entre o sério e o adusto. "ah, também tive esses impulsos assassinos", confessou a prosa, o foco dos olhos sobre as próprias mãos agora em repouso sobre a mesa, o cigarro quase no fim, o fôlego para as frases longas. "seus deboches sempre foram deboches de fraqueza", respondeu a poesia, agora com um cálice de bebida forte, se aguardente ou absinto, as sobrancelhas franzidas, elípticos os lábios com palavras bélicas. "em mim você também lançou as setas envenenadas", falou a prosa, os braços-parágrafos prontos para uma g...