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[FILOSOFIAS DE DOMINGO]

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G. Deleuze quis tomar uma cerveja nos fundos do Mercado, mais adiante da loja de patos, um pouco antes da loja de peixes, entre os pimentões e as laranjas, entre a filosofia do ver e a filosofia do degustar. A cerveja veio e havia lentidões na manhã de domingo. G. Deleuze pôs o chapéu sobre o balcão, tinha limões nos bolsos do paletó, pediu a João Serenus descrições sobre a incidência da luz sobre os copos. Bebemos. Bebemos: um brinde para Espinoza, um brinde à fluidez dos afetos, um brinde à nova gravata de Franz Kafka, um brinde aos brincos de Cida La Lampe. Uns poetas passaram montados em um camelo, voou um bando de bailarinas sobre as nossas cabeças. Estávamos em estado de trincheira, trincheira para sorrir, trincheira para apreciar. Quase cresciam flores na ponta dos nossos dedos. Nenhum irado veio nos tirar da quietude.

[NUVENS DE PALÍNDROMOS SOBRE BELO HORIZONTE]

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[vicente gunz e eu fomos ver o homem-que-puxa-o-fio na avenida paraná.] [o homem tem um cartaz de papelão sobre o peito, onde se lê: “eu sou o homem que puxa o fio”.] [vicente gunz e eu contamos vinte e seis discípulos atrás dele.] [parece que a jornada começou pela praça rio branco e seguirá até a praça raul soares.] [não é preciso dizer que o fio que o homem puxa é um fio imaginário.] [o homem leva com ele uma carretilha.] [a carretilha desenrola-se interminavelmente.] [alguns discípulos afirmam que o fio que o homem puxa é um fio vermelho.] [alguns discípulos são filosóficos: “este é o fio das extremidades metafísicas”.] [outros são mais pictóricos: “este é o fio da primeira rajada de cores do dia da criação”.] [vicente gunz e eu agora fazemos parte do bando.] [vamos pela avenida paraná, expedicionários, e tudo é um ruidoso estado de júbilo.] [um poeta ainda em fase de aleitamento aliou-se a nós: “este é o fio das evoluções estétic...