[Teodorico Arandel, em seu As influências de Alfred Jarry
no imaginário dos poetas performáticos (Editora Vesúvio, Santa Bárbara do
Tugúrio, 1982, 145 páginas), conta a história de um poeta que costumava subir e
descer interminavelmente as escadas rolantes do Edifício Malleta com um
carrinho de supermercado, dentro do qual levava seus livros, sete ou oito
opúsculos, um pouco mais, um pouco menos, e que esse poeta se vestia de
escoteiro e que também emitia palavras agudas e pontudas aos passantes, uma e
outra vez dava ataques, uma e outra vez fazia gestos sátiros, ou burlescos, de
vez em quando se fazia passar por um bufão.
Ou então assumia-se clown, assumia-se chaplinesco, escada acima e escada abaixo, bem
diante do Bar Lua Nova, ali onde Murilo Rubião bebericava sua cerveja com os
amigos a partir das cinco horas da tarde naquela Belo Horizonte toda provincial
dos anos 1970, havia ursos na Avenida Augusto de Lima, javalis na Rua da Bahia,
dromedários na Rua Espírito Santo, garças usavam túnicas indianas nas mesas
externas da Cantina do Lucas, seios voadores pairavam sobre as mesas do
Pelicano e um carro do Dops costumava estacionar a poucos metros de onde
terminava a liberdade.]