1.10.26

[E ENTÃO COMEÇOU O DIA]


Sentou-se no canto do bar, a dois ou três metros dele. Olharam-se uma ou duas vezes. Notou que ela possuía lábios enormes. Sua blusa era azul e os cabelos negros. Aos poucos, ela se aproximava dele, ela ia arrastando a cadeira, mais e mais um pouco. Por fim, estavam juntos e se beijaram muito de leve, apenas roçando os lábios. 

Nada mais desta cena foi lembrado ao amanhecer. Apenas um rato branco, pelado, correu pelo assoalho e ficou de barriga para cima à espera de um carinho. 

A visão desse rato provocou asco. O rato esfumou-se, sumiu, desapareceu da cena.

Nenhuma outra cena foi lembrada ao amanhecer. 

Ele levantou-se, acariciou o gato à beira da cama, foi à cozinha com o frasco de medicamento e então começou o seu dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário