17.8.26

[O MUNDO E OS NADAS DO MUNDO]


[dá muito gosto observar as 
miudezas, tão miúdas quanto um olho de mosquito, ver esses nadas na paisagem, esses vinténs de coisas, coisas tão mínimas e tão silenciosas, nada distrai esses fiapos e essas minudências sem nome, as bombas não as atingem, o falatório dos chefes do mundo não é ouvido nesses recantos entre um canteiro e outro, não chega ali o sangue nas mãos dos genocidas, dos usurários, dos banqueiros e dos trilionários, esses que já não são mais humanos, que não são mais pessoas, que são apenas máquinas de acumular riquezas enquanto a miserabilidade transcontinental avança e avança sobre os povos, ninguém sabe aonde chegará tudo isto, estamos acuados, cercados, incapazes de dar o troco justo e potente a esses paspalhões, mesmo assim, ali pelos tugúrios das coisas mínimas ainda cultivamos a nossa humanidade junto com os nadas da paisagem, como o rastro de um caracol na terra, como a linha com a qual o gato brinca como se em um circo, como o olhar lacrimoso da lagartixa ao sol ou como a marca de um pingo da chuva na folha seca.]

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