[UNS POUCOS E GENOCIDAS SENHORES]
São pensamentos revoltos (ou tempestuosos) esses que provêm do olhar que lançamos sobre a política e a geopolítica, daqui e de acolá. São pensamentos imperfeitos, eivados de lacunas, pois disputam renhida batalha com a nossa vontade de não olhar para acontecimentos tão indigestos.
Pensar pode ser arte ou pode ser catástrofe. Arte se o pensar veste o frenesi que vem após o espanto, após o sobressalto diante da minúscula porção daquilo que pela primeira vez assoma à nossa vida. É a natureza das coisas mínimas, entre o rumor da tartaruga e o pio da ave que choca em seu ninho. Coisas dessa ordem de coisas.
O pensamento como catástrofe é o redemoinho diabólico do pensar. É o pensamento contaminado pelo movimentos a esmo dos tiranos, dos títeres, dos marionetes, dos pulhas. Lançar o nosso olhar sobre esses movimentos de radiação contínua e letal nos lança igualmente à paisagem das catástrofes.
A política já não se reconhece como política, e a geopolítica, extensão global desse desconhecimento funesto, desse estranhamento já sem origem, nos destitui cada vez mais da condição de cidadãos. Nos destitui dos direitos da cidadania, porque o planeta inteiro tem sido levado a uma homogeneidade paradoxalmente disforme, monstruosa, fantasmal, sob o comando de uns poucos e genocidas senhores.

