Diz o Senhor Glous diz que o mundo nunca desperdiçou tanto palavras escritas como agora. Certo é que as palavras que vão por aí afora, enviadas ao vento pela oralidade, já renderam até provérbios na antiguidade clássica. As palavras escritas, porém, nesta altura das iniquidades mundiais, logram agora alcançar os píncaros dos monturos inúteis.
Senhor Glous não enumera apenas as palavras gravadas e impressas em livros. Refere-se ao incontável elenco de lugares onde os dedos humanos, como se tomados pela tarantela ou pela doença de São Guido, teclam e teclam, escrevem e escrevem, isto é, jorram incessantemente a panaceia letral em busca de leitores. "E creio até que boa parte desses boquirrotos gráficos já não procura nem leitores", diz o Senhor Glous.
Blogs como este, por exemplo, segundo afirma o Senhor Glous com a concordância cem por cento deste teclador que vos escreve, pois, sim, blogs como este revelam o grau de tragédia a que chegou o desperdício. "Ninguém lê um blog nesses dias de contumácia escrevetória", ele declara.
Claro que, envergonhado, não lhe perguntei sobre o significado da expressão "contumácia escrevetória". Mas cá, em minha intimidade esburacada, sabedor do fato de que ninguém lê mesmo o que aqui se escreve, relacionei a expressão "contumácia escrevetória" com "vexatória". E, feito isto, me enrosquei feito um cão sem dono em minha própria vergonha.
Ponto.
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