19.10.26

[O CISCO]


[aqui, nesse andamento do texto, 
havia um vazio. preenchi-o. 

pus nele um grão. 
o grão não germinou. 
pus então um cisco, o mais triste 
dos ciscos, o mais abandonado 
dos ciscos. 

ali ficou o cisco 
no coração do vazio. 

de quando em quando, olho para o cisco 
à deriva na geografia do vazio. 

só eu sei da existência desse cisco.
 
nem preciso nomeá-lo. 

é um cisco único, singularíssimo, 
e eu poderia reconhecê-lo 
até mesmo em noite de breu plúmbeo. 

às gentes que passam 
e vão rumo à miragem, 
eu digo: 

"eu sou o homem 
velho salvador de ciscos".]

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