[percebência não é uma palavra formosa. mas formosa também não é uma palavra formosa. acontece que percebência fica formosa quando atiça os sentidos.
o mar atiça os sentidos quando encrespa as ondas. o gato atiça os sentidos quando eriça os pêlos. e a chuva atiça os sentidos quando faz o atrito suave e paradoxal de uma nuvem sobre outra nuvem.
achei a palavra percebência faz pouco, enquanto ia daqui para acolá, sem rumo. ela surgiu tão nova que os dicionários ficaram boquiabertos, lá onde ela não é encontrável.
mas gostei do atiçamento que ela provocou no dia. foi o gosto de ver uma árvore prenhe de frutos. foi o gosto de domar o coração para não fecundar o ódio. foi a beleza simples de um acontecimento que apazigua. foi uma espécie de ovo gramatical da paz.]

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