3.10.26

[LULA: A HUMANIDADE QUE NOS RESTA]


[foto de Ricardo Stuckert]

[lula tem oitenta anos.
anda de cabeça erguida e jamais verga a espinha.
nem abaixa os olhos.
nem teme.
nem medra.
batem nele.
a cada minuto um energúmeno sai das trevas para dar a lula a morte em efígie.
lula cai e se ergue.
e segue.
segue pelo coração da história.
segue como segue um peregrino pelo deserto.
já tiraram tudo dele.
tiraram dele a voz, tiraram dele o sol e a chuva, tiraram dele as manhãs do país que ele ama como ninguém.
lula, destituído de tudo pelas garras dos zumbis descerebrados, se levanta sempre.
mais uma vez é visto nas ruas, nas praças, no cinema dos olhos de sua gente também sem medo.
sim, o medo tem medo dele.
o medo pálido do mercado e dos rentistas.
o medo tísico dos banqueiros.
o medo e o pânico dos jornalistas que venderam a alma por trinta dinheiros, o medo dos juízes mancomunados com os barões do capital.
a idiotia que viceja qual lodo, qual fungo, tem vertigens de medo de lula, esse velhote de doçura infinita com as gentes sem medo deste país.
os carolas que se armam com deus e fuzis não dormem devido ao incomensurável medo do velhote.
o olhar psicótico de marco rubio, a bufa opereta de trump, o marionetismo do clã miliciano.
todos temem o velhote, o doce e terno velhote, o épico velhote, símbolo da humanidade que ainda nos resta e que está outra vez nas ruas pelo seu país, pelo nosso país.]

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