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1.4.26

[SER ORIGINAL]


[de modo algum 
busco ser original.

reúno, sim, os arames 
que outros ajuntaram,
solfejo a canção 
que outros já cantaram.

minha vela não ilumina as trevas,
meu barco não faz as longas travessias
e meu voo é baixo, de galinha.

uso farta velharia 
com o lápis que me auxilia.
bebo longe e bebo perto.
sou capaz de ir lá em homero 
em busca duma palavrinha.

com os de hoje, tento chegar mais perto,
busco ver o que eles veem, 
entro nos ritmos que eles tamborilam.

mas ser original, isto eu não busco.
que busque quem queira e possa.

gosto mesmo é de refazer bordados
com agulha que roubei
de quem a roubou de outros.]

[OS INVASORES DE SINGAPURA]


Há dias tenho percebido a visitação obsessiva e volumosa a este blog de robôs procedentes de Singapore. Pelo que pesquisei aqui e acolá, essas incursões, digamos, sem rosto e sem corpo, se devem a gente (será que de carne e osso?) ministrando aulinha de treinamento para a comunidade das inteligências artificiais. Ou seja: esses bots visitam a esmo ou às cegas tudo o que lhes passa diante dos narizes, se é que possuem narizes.  

Não sei o que este blog pode ensinar a tais cacholas de circuitos algorítmicos lá para as bandas de Singapura. O que aqui se publica desde 2003 já não interessa nem mesmo a outros blogueiros igualmente anacrônicos como este que aqui vos fala. O que buscam essas tampinhas de latão? Buscam a lírica desventrada deste velho poeta que, há muito, já deveria ter dependurado as pantufas? Quanta perda de tempo. 

Sugiro a esse "pessoal" que busque alimento mais propício para os estômagos robóticos. Fiquem lá com os doidos do mundo, como Trump, Netanyahu e outros mequetrefes de uma figa. Deixem-me em paz.