[“Nada jamais esteve e jamais estará cem por cento bem”. É o que diz, nas sombras, a voz interlocutora, a voz que é pura voz e nada mais. De repente, pressente-se a voz em seus preparativos para intervir nas conversações. Ela se aproveita das pausas, das lacunas, dos buracos entre as falas e logo emite as suas opiniões, os seus palpites, seus desacordos, seus paradoxos. A qualquer hora do dia, a qualquer hora da noite. Independentemente de quem sejam os conversadores daquele momento. Intromissões, impertinências. A voz que é pura voz e nada mais avança desde a penumbra e se materializa entre os espantados, os perplexos, os boquiabertos — os também em pânico. “Nada jamais esteve e jamais estará cem por cento bem”. De cá, do lado de cá da sombra, ouvimos a sentença proferida pela voz, ouvimos uma e mais outras vezes, depois seguimos o caminho que dá na praça e depois para o becos onde cada um de nós reside.]
16.10.26
[A VOZ]
[“Nada jamais esteve e jamais estará cem por cento bem”. É o que diz, nas sombras, a voz interlocutora, a voz que é pura voz e nada mais. De repente, pressente-se a voz em seus preparativos para intervir nas conversações. Ela se aproveita das pausas, das lacunas, dos buracos entre as falas e logo emite as suas opiniões, os seus palpites, seus desacordos, seus paradoxos. A qualquer hora do dia, a qualquer hora da noite. Independentemente de quem sejam os conversadores daquele momento. Intromissões, impertinências. A voz que é pura voz e nada mais avança desde a penumbra e se materializa entre os espantados, os perplexos, os boquiabertos — os também em pânico. “Nada jamais esteve e jamais estará cem por cento bem”. De cá, do lado de cá da sombra, ouvimos a sentença proferida pela voz, ouvimos uma e mais outras vezes, depois seguimos o caminho que dá na praça e depois para o becos onde cada um de nós reside.]
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