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10.12.21

[HÖLDERLIN, HÖLDERLIN]

["pallaksch", murmurava hölderlin,
"pallaksch", ele murmurava, nem sim,

nem não, nem sim, nem não, ó
melancolia dos murmúrios, ó

a crua limiaridade do que não é
sim, nem é não. paul celan 

também murmurou com hölderlin
"pallaksch", assim igual eu murmuro

"pallaksch", murmuro as desdobras 
sem dobras do que indefine,

mas intuo ter visto lá onde o navio
cruza, lá onde o mar-alto vira,

intuo ter visto um pássaro
sem cor sobre o verde mar

desconhecido, intuo esse pássaro, 
não é do sim, não é do não,

mas é tão jovem quanto
um fogo em seu vigor inaugural.]