2.10.26

[OS TROMBONES DA RUA ANFIBÓLIOS]

[quando é madrugada, soam os trombones da rua anfibólios. austeros sons, rombudos sons, especiarias de sons em um cozido harmônico.

um cortázar de touca sobe a ladeira mínima da rua anfibólios. sobe e para, absorto, porque é madrugada e já soam os trombones da rua anfibólios.

sou aquele que veio de longe, diz o cortázar de touca. cigarro aceso, cigarro apagado, assovio fino, assovio grosso, as alegrias polpudas e em cachos dos sons dos trombones da rua anfibólios.

aquelas moças que incendeiam as bandeiras, aquelas moças derrubadoras de muros. é madrugada, já soam os trombones da rua anfibólios, e as moças insubmissas ateiam fogo na cidade.

sou aquele que veio de longe, repete o cortázar de touca. em síncopes, os trombones da rua anfibólios acompanham os passos do andré de sapato novo.

o choro. o chorinho. a luz do poste. o beijo carmim. o jaguar da noite. a navalha. o chapéu borsalino. pixinguinhas que vão, pixinguinhas que vêm. é madrugada e soam os trombones da rua anfibólios.

a poesia não é. a poesia é o que não é. carotes de vinho amargo em prateleiras abandonadas. o sal corrói as paredes. o pai mostra ao filho a bala em um círculo a lápis na parede. tudo é adusto, tudo é sanguíneo. mas é madrugada e soam os trombones da rua anfibólios.

o cortázar de touca e as moças derrubadoras de muros agora em colóquio na ladeira mínima da rua anfibólios. a revolução chegará como se um gás, como se um som, como se uma chispa-faísca. os idiotas não passarão. é madrugada e já soam os trombones da rua anfibólios.]