[o poema-documentário começa nos próprios óculos de mário: é ali, pela redondez das lentes, que se dará
o fenômeno dos vidrilhos, aliterado fenômeno a se reproduzir ressoante por maravilhas e brilhos da noite.
diz pedro nava que mário de repente debandou-se do grupo, foi para a sacada do grande hotel, contemplou o estilo
flamejante e manuelino do conselho deliberativo, rua da bahia com avenida paraopeba, ali onde, adusto e áspero
pela rigidez e a monotonia, eleva-se hoje o edifício malleta. e então o poema-documentário volta aos óculos
de mário, e pela redondez das lentes com faíscas nas hastes, flagra outra vez o fenômeno dos vidrilhos, a combustão
de luzes na noite de belo horizonte, o sonar de mário capta frequências acústicas, seu radar recebe ondas eletromagnéticas.
com letreiros diante da câmera, o poema, que é documentário, exibe as seguintes frases: "ah, o brasil da república velha;
ah, a belo horizonte das magnólias; ah, o barnabé em pânico com o ovo do novo que eclode no ano de 1924; ah, o ah, o oh,
o ih das boquiabertas onomatopeias, o ah, o oh, o ih das senhorinhas e senhorinhos do partido republicano mineiro". corte.
volta-se a câmera para os óculos de mário, "holofotes que varrem a noite", diz nava. corte. fusão de imagens dos óculos de mário
com os óculos do poeta sem nome. é o ano de 2016, entrante, talvez venha uma hecatombe, chove, dói no horizonte a dor de um mendigo
bifronte, gota a gota caem do céu vidrilhos de sangue, eis o poeta sem nome, turvas lentes na noite, cinema de um mesmo instante.]
12.8.26
[PAUL CELAN E O FIAPO DA ROUPA DE UM PEREGRINO]
[ainda noite, mas já manhã prenunciada, veio o texto.]
[texto assim: fiapo da roupa de um peregrino.]
[lembrei-me então da carta que paul celan escreveu a hans bender em 18 de maio do ano de 1960: "só mãos verdadeiras escrevem um poema verdadeiro. em princípio, não vejo nenhuma diferença entre um aperto
[fiapo da roupa de um peregrino.]
[com a delicadeza que se impôs em hora tão inaugural no tempo, tratei de laçar a lápis esse indizível que jamais escreveremos.]
[modo não há de escrever o fiapo que se fez de texto na manhã prenunciada.]
[texto assim: fiapo da roupa de um peregrino.]
[lembrei-me então da carta que paul celan escreveu a hans bender em 18 de maio do ano de 1960: "só mãos verdadeiras escrevem um poema verdadeiro. em princípio, não vejo nenhuma diferença entre um aperto
de mãos e um poema".]
[e o texto veio assim: fiapo da roupa de um peregrino.]
[e o texto veio assim: fiapo da roupa de um peregrino.]
[não era ouro, não era ourivesaria, nada de texto-diamante à luz chegante do dia: era fiapo.]
[fiapo da roupa de um peregrino.]
[com a delicadeza que se impôs em hora tão inaugural no tempo, tratei de laçar a lápis esse indizível que jamais escreveremos.]
[modo não há de escrever o fiapo que se fez de texto na manhã prenunciada.]
[o fiapo é o indizível, é o horizonte inalcançável, é isto que nos ilude para a escrita sempre sonhada e impossível.]
[QUASE NOITE. COM FRANCIS PONGE]
[é quase noite. e as pitangas
tingem o leite que o céu
derrama a oeste, ali onde a estrela
temporã logo virá declamar
um poema de francis ponge.
o vapor de cachoeira
o vapor de cachoeira
não navega mais no mar.
o jardim protege uma ninhada
de vogais. o rústico graveto
aresta a página de uma avenca
que, quase noite, logo vai
declamar um poema de francis ponge.
é quase noite ao sul do sul, vai
é quase noite ao sul do sul, vai
agora o sol, vem a lua, e o cheiro
do óleo diesel é o próprio
coração do diabo a bater
na caldeira da fábrica. a fábrica
não vai declamar
um poema de francis ponge.
o corte no olho do cão andaluz.
o corte no olho do cão andaluz.
o banquete dos mendigos
por entre as espirais
do tabaco de buñuel.
godard recorta o senso
godard recorta o senso
comum com as tesouras
de uma andorinha perdida,
perdida e cega,
na quase noite. a andorinha
logo declamará
um poema de francis ponge.
"fracassamos", diz o homem
"fracassamos", diz o homem
velho à beira de um canteiro.
"fracassamos", dizem
os leitores e as leitoras
do não à beira
das páginas mortas. e o gato,
gato sem nome, subnutrido,
triste, logo vai declamar
um poema de francis ponge.]
10.8.26
[BIBLIOTECA DA PRAÇA DA LIBERDADE]
[Creio ter sido entre março/abril de 1967 que entrei pela primeira vez na Biblioteca da Praça da Liberdade (assim conhecida na época; o nome Luiz de Bessa viria depois). Com 16 anos, recém-chegado a Belo Horizonte, foi a minha primeira visita a uma biblioteca pública. Não me lembro se ali cheguei pela manhã ou à tarde, se subi a pé a João Pinheiro, a Bias Fortes ou a Bahia. Nem me lembro se usava naquele dia o uniforme do Colégio Estadual da Gameleira. A ambiência do lado de fora da biblioteca é vaga na minha memória de 75 anos. Ao contrário, é nítida, palpável, do lado de dentro: o ambiente das estantes e das mesas, e, sobretudo, a memória tátil em meu primeiro convívio com aquela fartura de livros. Sinto ainda hoje a textura das lombadas e das capas, aquela fieira de autores que seriam o meu pão dali em diante. Desses, recordo-me claramente da lombada e da capa de A Cartuxa de Parma, de Stendhal, a encadernação em sépia no meio de todos aqueles volumes de literatura francesa. E logo a estante com os russos. E logo o empréstimo inaugural, o primeiro dos empréstimos, quando pude levar para casa, no Calafate, os livros escolhidos. A partir desse encontro amoroso e inesquecível com a Biblioteca da Praça, fiz dali o meu refúgio. E devido à impossibilidade de largar as descrições que lia das estepes russas, das condições feudais dos camponeses russos, fui reprovado em uma prova crucial de matemática em um daqueles anos. Mais tarde, em 1971, quando me mudei para São Paulo, repeti esse tipo de afetuosa e apaixonada convivência com a Biblioteca Mário de Andrade. E com outras, como a Tomás Rivera, da Universidade da Califórnia em Riverside, meu esconderijo diário ali nas beiradas do deserto californiano, mas que não teve expediente em 11 de setembro de 2001, pelas razões óbvias.
9.8.26
[GEORGES PEREC, A JANELA E O GATO PRETO]
[nada tem a ver o que agora escrevo com a foto de perec e seu gato preto, nem com a janela ao fundo, suas grades em arabescos, a luz vazante, o almofadão que de sofá se faz.
nada tem a ver. e tem, agora digo, pois há uma personagem que não vejo, e é tal pessoa (pessoa novelesca) que puxa palavra atrás de palavra, é a ponta de um novelo que não vemos.
pobre literatura.
quão pobre é a literatura nesse instante.
no êxtase de uma ausência, eu digo, a pobre e miserável literatura, em seu lugar mendigo, ela poderia tratar de presenças, mas prefere as ausências.
tão desmiolada literatura.
enquanto a corrente direcional do senso comum vê o cenário, a réptil, a quelônia, a viscosa literatura vê o que não aparece na foto, opta pelo que está fora, pelo que fugiu pelas bordas-margens da foto.
é batalha perdida, eu digo.
desde os antigos palimpsestos do mundo é a mesma história, eu digo, a literatura trata desse buraco, é esse buraco que a redime, e é esse buraco que, a cada texto, lhe dá o tiro de misericórdia.]
3.8.26
[OS FILÓSOFOS E A ECLOSÃO DOS OVOS]
[os
filósofos ficavam à espreita, atrás das pedras e dos arbustos.
só saíam quando
os ovos eclodiam.
era o momento do júbilo.
cada filósofo emocionava as
pálpebras de ver e as pálpebras de sonhar.
chamávamos esse espetáculo de
"o que os ovos fazem com a filosofia".
os povos ágrafos parece que
transmitiram aos filósofos esse ardor na alma. pois não havia outro nome senão
ardor na alma para definir aquela festa da eclosão dos ovos.
era tanto êxtase
que os filósofos, aos saltos, lembravam velas esvoaçantes de barcos em dia
claro, sob vento contínuo e benfazejo.
relatos posteriores desses acontecimentos ainda provocam até hoje a festa pândega e pagã da visão e do sonho.
peço mais um cálice de vinho ao garçom leitor de proposições e axiomas.
elevo brindes aos filósofos desses mundos obscuros.
ponho a literatura ao sol, em varais com espinhos, para que ela sofra lentamente a dor das asperezas.
é tarde.
e a madrugada será longa como um deserto de tulipas murchas.
chamam-me de "aquele que crê".
prefiro, porém, ser chamado de "aquele que andarilha".]
26.7.26
[PASCAL QUIGNARD E AS CÂMARAS DE ECO]
[pascal quignard, em dois laços
entre o som e a noite, diz que as grutas
paleolíticas não são santuários de imagens,
mas instrumentos de música cujas paredes
foram decoradas, são ressoadores noturnos
pintados no invisível, câmaras de eco,
e o eco teria determinado a escolha
das paredes a serem pintadas.
diz ainda pascal quignard que o eco
é o lugar do duplo sonoro, do mesmo modo
que a máscara é o lugar do duplo visível:
máscaras de bisonte, máscaras de cervo,
máscaras de ave presa de bico curvo. etc.
mais adiante ele diz que o eco é o guia
e o referente na obscuridade silenciosa,
e diz ainda: «o eco é a voz do invisível».
costumo pensar com frequência no eco
dentro do poema, no som que se estilhaça,
que se fragmenta, sílabas-partículas
em colisão sonora: sons para que os olhos
os vejam. ver som. ver o eco. o olho que escuta.
sei que as teorias poemáticas são modos
de justificar o que a obra, titubeante, obra.
mas de ler pascal quignard nesse tratado
sobre o som e a noite, encontro um alívio
na aflição de um paradoxo:
o poema é o olho que canta.]
entre o som e a noite, diz que as grutas
paleolíticas não são santuários de imagens,
mas instrumentos de música cujas paredes
foram decoradas, são ressoadores noturnos
pintados no invisível, câmaras de eco,
e o eco teria determinado a escolha
das paredes a serem pintadas.
diz ainda pascal quignard que o eco
é o lugar do duplo sonoro, do mesmo modo
que a máscara é o lugar do duplo visível:
máscaras de bisonte, máscaras de cervo,
máscaras de ave presa de bico curvo. etc.
mais adiante ele diz que o eco é o guia
e o referente na obscuridade silenciosa,
e diz ainda: «o eco é a voz do invisível».
costumo pensar com frequência no eco
dentro do poema, no som que se estilhaça,
que se fragmenta, sílabas-partículas
em colisão sonora: sons para que os olhos
os vejam. ver som. ver o eco. o olho que escuta.
sei que as teorias poemáticas são modos
de justificar o que a obra, titubeante, obra.
mas de ler pascal quignard nesse tratado
sobre o som e a noite, encontro um alívio
na aflição de um paradoxo:
o poema é o olho que canta.]
22.7.26
[CURSO GERAL DE POÉTICA: EUGÉNIO DE ANDRADE]
[em 2005, era fevereiro entrante, e manuel jorge marmelo, meu irmão-do-lado-de-lá-do-mar, levou-me em passeio pelas ruelas de miragaia, mostrou-me o douro e a procissão de gaivotas na terceira margem do douro, mostrou-me becos, passagens, vãos de ruas para outras ruas
na região mais antiga do porto, subimos, descemos, descemos e subimos, e lá estava o douro, sempre o douro, e o jorge, sempre fraterno, levou-me ali pela foz (era tarde de sábado, era tarde de frio, era tarde em meu tempo de permanência no porto), jorge levou-me ali pela foz, e, ao largo, ali quando o rio e o mar parece que conversam, parece que dialogam,
parece que filosofam, jorge apontou-me, bem perto, a casa de eugénio de andrade, eis a casa do poeta, eis que o poeta (isto eu pensei) soube ter diante, em suas janelas, a topografia do rio e do mar, pois rio é o que abre, mar é o que recebe, e ali a casa, névoas agora na minha vista, sombras de uma lembrança que a clara luz daquele dia só
me cega, tantos azuis, tantos brancos, tantos raios de cores despidas de cores, cores nuas sobre o mar e sobre o rio, e lá a casa do poeta, até fiz menção de visitá-lo, quem sabe uma palavra, quem sabe só o aperto fugaz de mãos com o rio e o mar ali como testemunhas, mas, não, não era hora,
não era mais a hora, jorge contou-me que o poeta se achava adoentado, se fosse antes, anos antes, quem sabe, mas, não, o tempo urge, o tempo é bicho voraz, e o sábado, o sábado de 2005, foi adiante, almoçaremos no abadia, disse jorge, e lá fui eu, sereno, com duas flores no peito
para eugénio de andrade, mesmo com o crime de ter viajado ao porto tão tarde. a isto eu chamo poesia.]
[ALBERT CAMUS E A JANELA]
[na enciclopédia das quedas e dos fracassos, junto com o verbete livro, há também os verbetes dos verbos ver e deduzir.]
[impossível ver (e deduzir) o que albert camus vê pela janela nesse instante.]
[instante, assim nos parece, de descanso, de intervalo, de lacuna, ao sentar-se no marco da janela.]
[talvez fosse melhor chamar isto de contramarco da janela, ou, no dizer dos engenheiros, pano de peito.]
[talvez, talvez seja isto, ou não, pois as nomenclaturas igualmente fracassam, apenas vemos que camus se sentou.]
[uma das pernas alçada sobre o encanamento da calefação, a outra perna se apoia no assoalho.]
[a luz de paris com os seus cinzentos à beira do prata, um telhado, uma antena de televisão.]
[camus segura com a mão direita talvez um cálice, e olha.]
[o que vê o escritor não sabemos.]
[talvez nem olhe, talvez apenas absorva o que vai pela rua.]
[um homem e uma mulher talvez passem justo agora, um carro, ou nada, pode ser que a rua esteja vazia.]
[camus então apenas se deixa ficar com o nada pelos olhos.]
[sim, tudo isto é fracasso, fracasso das deduções, imaginâncias sobre uma foto que nos comove, imaginâncias sobre o fracasso do que tentamos ver.]
[um escritor na janela, entre duas folhas abertas para que a janela nos faça recordar de um livro, um livro
igualmente aberto, a janela-página com um escritor sentado lá dentro.]
igualmente aberto, a janela-página com um escritor sentado lá dentro.]
20.5.26
[OS GRAVETOS, ESSES SERES DA INOCÊNCIA]
[ela disse, e se referia ao graveto: "este jamais sofreu a maldição da escrita".]
[era o graveto de uma árvore também seca, que dava para um quintal corroído pelo silêncio, pela ausência, pelo abandono.]
[tinha o graveto a dimensão de um dedo, e terminava em forquilha numa das pontas.]
["este jamais sofreu a maldição da escrita", ela repetiu, e eu perguntei o seu nome.]
["meu nome", ela falou, "não tenho nome, e se o tivesse não o usaria".]
[depois, alguns dias depois, eu voltei a encontrá-la e ela escrevia a carvão símbolos ininteligíveis numa parede.]
[eram arremedos de vogais, porções de consoantes com aleijões, números que nenhuma aritmética poderia encampá-los.]
[só o carvão, em finca, pontudo, escavava nitidez negra nos tijolos, aquela parede que restara de um depósito de sal.]
[era o carvão de um graveto recém-queimado.]
[o graveto que não sofrera a maldição da escrita.]
21.10.25
[PROVOCAÇÕES: ERIÇAMENTOS: ATRITOS]
[ENTREVISTA COM O VAZIO]
[o vazio perguntou ao pleno por que se escreve. o pleno não soube ou não quis fecundar uma resposta.]
[chamamos deleuze, chamamos a reprodução simulatória de uma vitrine em outra vitrine numa cidade sitiada, chamamos rimbaud, lautréamont, chamamos os tuaregues e os ciganos.]
[chamamento meramente retórico.]
[só a vaziez sabe por que se escreve.]
[DOS DESTINATÁRIOS]
[o velho disse: "mas um livro é sempre uma carta para não-todos-destinatários".]
[o velho disse: "para-todos é sempre demais para o destino de um livro".]
[OS NÃO LEITORES]
[o vazio disse que gostava de provocar os não leitores com miríades baças de um texto com espinhos.]
[era o modo de dar às retinas os punhados de areia.]
[os não leitores poderiam então simular a queda no abismo.]
[a dor do texto prenhe de ilegível.]
[CANTATA MATINAL]
[na beira-página, estão os visitantes.]
[são legentes e são legíveis.]
[uns leem as páginas, outros são lidos por elas.]
[combinam-se, de um lado e outro, os povos migrantes do texto.]
[o texto é o modo mais sublime dos povoamentos.]
[o vazio perguntou ao pleno por que se escreve. o pleno não soube ou não quis fecundar uma resposta.]
[chamamos deleuze, chamamos a reprodução simulatória de uma vitrine em outra vitrine numa cidade sitiada, chamamos rimbaud, lautréamont, chamamos os tuaregues e os ciganos.]
[chamamento meramente retórico.]
[só a vaziez sabe por que se escreve.]
[DOS DESTINATÁRIOS]
[o velho disse: "mas um livro é sempre uma carta para não-todos-destinatários".]
[o velho disse: "para-todos é sempre demais para o destino de um livro".]
[OS NÃO LEITORES]
[o vazio disse que gostava de provocar os não leitores com miríades baças de um texto com espinhos.]
[era o modo de dar às retinas os punhados de areia.]
[os não leitores poderiam então simular a queda no abismo.]
[a dor do texto prenhe de ilegível.]
[CANTATA MATINAL]
[na beira-página, estão os visitantes.]
[são legentes e são legíveis.]
[uns leem as páginas, outros são lidos por elas.]
[combinam-se, de um lado e outro, os povos migrantes do texto.]
[o texto é o modo mais sublime dos povoamentos.]
31.8.25
[A FERA DA RUA DA BAHIA]
[a fera foi vista ontem
na rua da bahia.
fera ferrabrás
fera ferrabrás
de linhagem fera:
garras, bocarra, ira,
pelagem, retinas.
ninguém ligou.
não houve espanto,
não houve pânico,
ninguém ligou
para a polícia
borocoxô
ou mesmo
para o governador
coió.
douta
e acadêmica vida
esta que já não se espanta.
insípida e pernóstica
vida esta que já não eriça
os pelos da surpresa.
foi-se então a fera,
foi-se então a fera,
fera ferrabrás
de linhagem fera.
de linhagem fera.
foi-se pela cidade.
talvez tomar sorvete.
talvez
comprar uns trajes
novos lá onde drummond
novos lá onde drummond
fez um incêndio.]
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