[vezes sem conta leio a foto em que marguerite duras toca o lá-fora com a mão espalmada, sua mão esquerda aberta
inteira sobre a vidraça, toque na luz que vem de um quintal ou jardim pela janela dividida em gomos de
vidro, à esquerda, atrás, uma cadeira, o tampo de uma escrivaninha, duras parece ter abandonado o que
escrevia pelas seduções estonteantes da luz, esse milagre da manhã (ou da tarde) que as
vidraças produzem em jogo com as cortinas, véu e clarão, bordados e raios, talvez essa mão espalmada traduza à
perfeição um contraponto visual à escrita, dois instrumentos em um duo de luz e letra, o violoncelo que
escreve, a flauta que emana luz sobre o já escrito ou ainda a escrever, duras foi à janela para brincar com uma das
partes do concerto.]

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