[A FRASE QUE CAIU DA NOITE]
[gatos apreciam andar lentamente pelo gerúndio.]
[país. imaginei ter um. já não imagino mais.]
["vem", disse a chama. a lenha foi. e era noite. falava-se a língua dos murmúrios.]
[buraco. o da estante. o que ficou do livro in absentia.]
[arder. era mesmo para arder aquele comunal convívio pelo livro, para o livro.]
["qual legado seria o da inscrição feita dentro de uma amêndoa?", ela perguntou.]
[benjamin disse: "a rua: habitação do coletivo".]
[aparições. instantâneos que a letra, qual radar, puxa para a frase.]
["a mão também é peregrina com o seu lápis-cajado", ele disse.]
["manto. tão abrigante palavra, toda ela aquecida", ela disse.]
["ah, mas o tecido do texto só para poucos vira manto", ela disse.]
[arpejo. tudo aquilo que, em um tempo-antes, foi rumor.]
[fímbria. certas dobras, certas beiras, onde pensamento e abismo se irmanam.]
[declamação. o que dizem ser uma forma de envergonhar os poemas.]
[café. o que alguns chamam de noite líquida.]
[tejo. o que intuiu o que eu digo, o que diremos, o que a língua dirá.]
[silêncio. entre os silêncios, existem aqueles feitos de farpas.]
[hölderlin: "diotima". «tantas vezes chorei, em largo rio, diante dela.»]
[hölderlin. e ele disse: «que deleite eu não havia de sentir por ser carvalho!»]
[llansol. eis o pão repartido sobre a mesa-figura, as mãos dos comensais-legentes.]
[clarice. dizíamos dela, baixinho: "é um verbo intransitivo".]
[rio. espécie de forma que o pensamento adotou em conluio com as águas.]
[agulha. seu fundo dá abrigo e passagem à linha peregrina.]
[romã. é tão sábia que arremedou os astros e as constelações.]
[desvio. voz narrativa indireta e oscilante dos caminhos.]
["quando tudo for superfície na letra, use goiva", ela disse.]
["ah, mas como são bonitas as rasuras", ela disse.]
[estilo. suposições de um quarto desarrumado, de uma casa em escombros.]
[lago. bashô ri da rã com água-som.]
[nó. o que sonha mediante laços, enlaces, cordões.]
[figo. flor para dentro, flor que preferiu o eu.]
[avenca. a que em diálogo com o muro roça a tristeza.]
[poema. da ordem dos grãos, das amêndoas, da respiração das coisas.]
[arte. só o avesso reluz.]
[blanchot. ouvir as agonias da literatura.]
[fragmento. por entre os dedos, debulha-se a totalidade.]
[borges. confirmam-se as previsões de gutenberg.]
[nódoa. assim quando o lápis em vertigem.]
[cisco. o que era das escamações dos anjos.]
[barthes. a suprema nitidez do que é minúsculo.]
[linha. o que o abismo ensinou depois da queda.]
[olho. o que atravessa entre dois desertos.]
[água. esse espanto da página em branco.]
[país. imaginei ter um. já não imagino mais.]
["vem", disse a chama. a lenha foi. e era noite. falava-se a língua dos murmúrios.]
[buraco. o da estante. o que ficou do livro in absentia.]
[arder. era mesmo para arder aquele comunal convívio pelo livro, para o livro.]
["qual legado seria o da inscrição feita dentro de uma amêndoa?", ela perguntou.]
[benjamin disse: "a rua: habitação do coletivo".]
[aparições. instantâneos que a letra, qual radar, puxa para a frase.]
["a mão também é peregrina com o seu lápis-cajado", ele disse.]
["manto. tão abrigante palavra, toda ela aquecida", ela disse.]
["ah, mas o tecido do texto só para poucos vira manto", ela disse.]
[arpejo. tudo aquilo que, em um tempo-antes, foi rumor.]
[fímbria. certas dobras, certas beiras, onde pensamento e abismo se irmanam.]
[declamação. o que dizem ser uma forma de envergonhar os poemas.]
[café. o que alguns chamam de noite líquida.]
[tejo. o que intuiu o que eu digo, o que diremos, o que a língua dirá.]
[silêncio. entre os silêncios, existem aqueles feitos de farpas.]
[hölderlin: "diotima". «tantas vezes chorei, em largo rio, diante dela.»]
[hölderlin. e ele disse: «que deleite eu não havia de sentir por ser carvalho!»]
[llansol. eis o pão repartido sobre a mesa-figura, as mãos dos comensais-legentes.]
[clarice. dizíamos dela, baixinho: "é um verbo intransitivo".]
[rio. espécie de forma que o pensamento adotou em conluio com as águas.]
[agulha. seu fundo dá abrigo e passagem à linha peregrina.]
[romã. é tão sábia que arremedou os astros e as constelações.]
[desvio. voz narrativa indireta e oscilante dos caminhos.]
["quando tudo for superfície na letra, use goiva", ela disse.]
["ah, mas como são bonitas as rasuras", ela disse.]
[estilo. suposições de um quarto desarrumado, de uma casa em escombros.]
[lago. bashô ri da rã com água-som.]
[nó. o que sonha mediante laços, enlaces, cordões.]
[figo. flor para dentro, flor que preferiu o eu.]
[avenca. a que em diálogo com o muro roça a tristeza.]
[poema. da ordem dos grãos, das amêndoas, da respiração das coisas.]
[arte. só o avesso reluz.]
[blanchot. ouvir as agonias da literatura.]
[fragmento. por entre os dedos, debulha-se a totalidade.]
[borges. confirmam-se as previsões de gutenberg.]
[nódoa. assim quando o lápis em vertigem.]
[cisco. o que era das escamações dos anjos.]
[barthes. a suprema nitidez do que é minúsculo.]
[linha. o que o abismo ensinou depois da queda.]
[olho. o que atravessa entre dois desertos.]
[água. esse espanto da página em branco.]

Comentários
Postar um comentário