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sexta-feira

[PARA SALVAR A EXUBERÂNCIA]

[era preciso salvar a exuberância de certos martírios que lhe vitimavam e entristeciam.] 

[a exuberância: da pedra, do mar, do cesto ao sol, do peixe, do camelo na solidão do deserto, da mulher que nutria o espanto diante da janela matinal.] 

[os martírios que vitimavam a exuberância eram, por exemplo, os ventos cruzados.] 

[os ventos que trazem em seu interior revolutivo o desnorteio, a incongruência de rumos, o escoiceamento dos potros.] 

[ao descerem sobre a exuberância, esses ventos cruzados submetiam a exuberância ao martírio de fenecer e murchar.] 

[por isso, era preciso salvar a exuberância.] 

[então os velhos se reuniam à tarde e emitiam palavras redondas para anteparo à ação dos ventos cruzados sobre a exuberância.] 

[os velhos eram muito velhos.] 

[aquelas mãos já quase adobe.] 

[aqueles olhos já minerais.] 

[e aquela calma dos grandes guerreiros sem armas e sem ódios.] 

[era quase um tratado sobre o equilíbrio do mundo.] 

[era quase um louvor aos engenhos da paciência.] 

[tudo para salvar a exuberância dos martírios que lhe vitimavam e entristeciam.]

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