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sábado

[PASCAL QUIGNARD E AS CÂMARAS DE ECO]

[pascal quignard, em «dois laços
entre o som e a noite», diz que as grutas
paleolíticas não são santuários de imagens,
mas instrumentos de música cujas paredes
foram decoradas, são ressoadores noturnos
pintados no invisível, câmaras de eco,
e o eco teria determinado a escolha
das paredes a serem pintadas. 

diz ainda pascal quignard que o eco
é o lugar do duplo sonoro, do mesmo modo
que a máscara é o lugar do duplo visível:
máscaras de bisonte, máscaras de cervo,
máscaras de ave presa de bico curvo. etc.

mais adiante ele diz que o eco é o guia
e o referente na obscuridade silenciosa,
e diz ainda: «o eco é a voz do invisível».

costumo pensar com frequência no eco
dentro do poema, no som que se estilhaça,
que se fragmenta, sílabas-partículas
em colisão sonora: sons para que os olhos
os vejam. ver som. ver o eco. o olho que escuta.

sei que as teorias poemáticas são modos
de justificar o que a obra, titubeante, obra.
mas de ler pascal quignard nesse tratado
sobre o som e a noite, encontro um alívio
na aflição de um paradoxo: 
o poema é o olho que canta.]

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