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domingo

[A LUXÚRIA E O POEMA]

[e o poema impôs ao tempo
a grã luxúria, este terceiro dos sete
pecados capitais. e o poema

deu viço ao que era baço, 
ao que era opaco, deu
magnificência e exuberância

ao tempo, alegrou as nuvens,
desregrou o vento em dançarolas
de leitura, e o vento assim leitor

agora cúmplice do poema
enamorou-se da luxúria, urra!,
gritaram os marinheiros no cais,

urra!, gritaram as mulheres de azul,
eia!, assim, em uníssono, os anjos
sem emprego nem patrões rumaram

em desgoverno para a festa, urra!,
outra vez gritaram os marinheiros
e lançaram ao mar os alfabetos, eia!,

e então os potros na montanha, eia!,
que a luxúria vinha com as romãs, eia!,
que o poema atiçava odor de enxofre,

e as éguas, ao largo, minavam água
de suas ancas, e os deuses, infantos,
entravam inteiros nos tonéis de baco.]

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